Sociedade de Estudo Psicanalítico Contemporâneo

... Confiabilidade, comprometimento, contentamento do cliente, transparência, ajustamento, ética e valorização do profissional, estas são as propostas da SEPC. Atuando como Referencia de nobreza da Psicanálise.

"A aceitação de processos psíquicos inconscientes, o reconhecimento da doutrina da resistência e do recalcamento e a consideração da sexualidade e do complexo de Édipo são os conteúdos principais da Psicanálise e os fundamentos de sua teoria, e quem não estiver em condições de subscrever todos eles não deve figurar entre os Psicanalistas".

Sigmund Freud



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tanto uma doença emocional pode resultar em doença física, como o oposto


Não há mais dúvidas de que o sofrimento emocional perpetuado, mesmo que seja em baixas doses, provoca doença física. Sendo assim, o componente mental gera alteração patológica do corpo. Porém, será que o inverso é verdade? Será que o mal físico resulta em transtornos da mente, particularmente quando se refere à depressão e à ansiedade desmedida?


Segundo um famoso psiquiatra da Pensilvânia (EUA), falecido no ano passado, muitas vezes o distúrbio emocional provém de uma doença física. Isso nos leva a crer que saúde física e mental é uma via de mão dupla. Um pouco mais que isso: são as faces de uma mesma moeda.
Antes, muitas décadas, séculos ou milênios atrás, a doença era um castigo dos deuses ou do Deus monoteísta judaico-cristão-islamita como punição pelas “trelas” que as pessoas e comunidades cometiam, os ditos pecados. Como não se conheciam os princípios geradores das doenças (e até hoje muitos desses princípios ainda não estão totalmente esclarecidos), culpar o sobrenatural era o óbvio.

Entretanto, parece que as coisas não são assim tão simples. Tanto uma doença emocional pode resultar em doença física, como o oposto. E assim, como cuidar da saúde? Parece ser complicado (e talvez seja), pois a partir do nascimento somos bombardeados de todos os lados à respeito de como se comportar, no que se deve ou não acreditar, de como os outros esperam que sejamos, de como só seremos bons com a aprovação alheia e divina, além de outras baboseiras. Assim sendo, o verdadeiro “eu” fica relegado ao segundo plano (terceiro ou quarto). Ninguém veio aqui para viver a vida de quem quer que seja. Viemos para interagir, compartilhar e conviver. Dar e receber conforto e gentilezas. Não viver pelos outros.
Uma enfermeira australiana, especialista em cuidados paliativos de pacientes terminais, observou os cinco arrependimentos mais comuns entre esses pacientes. Eles gostariam de: 1) Terem tido a coragem de ter uma vida mais fiel a si mesmos; 2) Não terem trabalhado tanto; 3) Terem expressado mais abertamente seus sentimentos; 4) Terem mantido muito mais contato com amigos e, por fim, 5) Terem se permitido a felicidade.
Desconheço qualquer forma verdadeira de ser feliz que não seja interiormente trabalhada. Contudo, parece que queremos “fazer gracinha” para os outros, quando isso não está dentro de nós, só para ser agradável, ganhar aplausos e ser aceito. A aceitação é interior: você com você mesmo. Que importa a opinião de outrem, se o que você vive e faz lhe traz prazer e entusiasmo? Por que valorizamos muito mais o que vem de fora em detrimento daquilo que sentimos no fundo da alma? O que nos faz dizer “sim” para os outros quando um “não” seria muito mais apropriado e justo?
O fato é que essa briga interior desequilibra o corpo e a mente e, então, formas de compensação (geralmente inadequadas) aparecem aos borbotões: fumar, beber demais, usar drogas, comer muito, sedentarizar a vida, guardar porcarias, fofocar sobre a vida alheia, enfiar-se numa igreja, templo ou seita, gastar demais, economizar demais, viciar-se em academias de ginástico ou esportes radicais, etc. Aí fica difícil não ter diabetes, hipertensão, obesidade, doença coronária, câncer, depressão, transtornos de ansiedade e fobias, bipolaridade afetiva, transtornos de personalidade e outras tantas mazelas mais.
Afinal, você vive para si mesma (compartilhando e convivendo, é claro) ou decidiu bancar a pessoazinha perfeccionista, coitadinha e caridosa (que você não é)? Saúde é escolha, seja consciente ou não!
Por Carlos Bayma

Vinho mais caro causa mais prazer



Um mesmo vinho pode ser muito mais agradável ao paladar quando vendido a R$ 200 do que quando seu preço é R$ 10, segundo indica uma pesquisa recém-publicada pelo California Institute of Technology, nos Estados Unidos.
Segundo o estudo, o fator psicológico faz com que o grau de satisfação com o vinho aumente de acordo com o seu preço, tornando-o mais agradável ao paladar. Os pesquisadores deram a 20 pessoas duas doses do mesmo vinho, dizendo a eles que a bebida havia custado algum valor entre US$ 5 e US$ 90. A maioria considerou melhores as doses dos vinhos "mais caros".
Os pesquisadores usaram uma técnica de ressonância magnética para observar o comportamento do cérebro dos pesquisados ao saborear cada dose de vinho. Eles observaram as mudanças ocorridas na parte do cérebro conhecida como córtex órbito-frontal médio, que tem um papel importante na sensação de prazer.
O estudo mostrou que essa região do cérebro ficava mais ativa durante a degustação dos vinhos "mais caros" do que na ingestão dos "mais baratos". Segundo o coordenador do estudo, Antonio Rangel, o resultado da ressonância magnética mostrou que a diferença na percepção de cada dose de vinho era real, não apenas imaginária.
De acordo com Rangel, o estudo pode ajudar em outras pesquisas que analisam os efeitos neurológicos do marketing. Um importante crítico de vinhos britânico disse ao jornal The Times que a relação do consumidor com o preço da bebida pode ser comparada à reação de alguém em relação a uma roupa cara de uma marca famosa.
Segundo ele, porém, os críticos e consumidores freqüentes de vinho não seriam influenciados pelo preço.

Fonte: Finanças Comportamentais

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Psicólogo, Psiquiatra ou Psicanalista?


Saiba quais são as diferenças
 
Procurar ajuda profissional para administrar problemas cotidianos, buscar autoconhecimento e tratar distúrbios de comportamento é uma prática cada vez mais comum. A questão é quem procurar. Psicólogo, Psiquiatra ou Psicanalista? Para responder à pergunta, VEJA.com ouviu especialistas e fez um guia com as principais características

 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mecanismos de Defesa


Sublimação; Repressão; Racionalização; Projeção; Deslocamento; Identificação; Regressão; Isolamento; Formação Reativa; Substituição; Fantasia; Compensação; Expiação; Negação; Introjeção.

           São diferentes tipos de operações em que a defesa pode ser especificada. Os mecanismos predominantes diferem segundo o tipo de afecção considerado, a etapa genética, o grau de elaboração do conflito defensivo, etc.
           Não há divergências quanto ao fato de que os mecanismos de defesa são utilizados pelo ego, mas permanece aberta a questão teórica de saber se a sua utilização pressupõe sempre a existência de um ego organizado que seja o seu suporte.
           Foi este o nome que Freud adotou para apresentar os diferentes tipos de manifestações que as defesas do Ego podem apresentar, já que este não se defronta só com as pressões e solicitações do Id e do Superego, pois aos dois se juntam o mundo exterior e as lembranças do passado.
           Quando o Ego está consciente das condições reinantes, consegue ele sair-se bem das situações sendo lógico, objetivo e racional, mas quando se desencadeiam situações que possam vir a provocar sentimentos de culpa ou ansiedade, o Ego perde as três qualidades citadas. É quando a ansiedade-sinal (ou sinal de angústia), de forma inconsciente, ativa uma série de mecanismos de defesa, com o fim de proteger o Ego contra uma dor psíquica iminente.
           Há vários mecanismos de defesa, sendo alguns mais eficientes do que outros. Há os que exigem menos dispêndio de energia para funcionar a contento. Outros há que são menos satisfatórios, mas todos requerem gastos de energia psíquica.
           As defesas do ego podem dividir-se em:
a)Defesas bem sucedidas, que geram a cessação daquilo que se rejeita
b)Defesas ineficazes, que exigem repetição ou perpetuação do processo de rejeição, a fim de impedir a irrupção dos impulsos rejeitados.
           As defesas patogênicas, nas quais se radicam as neuroses, pertencem à segunda categorias Quando os impulsos opostos não encontram descarga, mas permanecem suspensos no inconsciente e ainda aumentam pelo funcionamento continuado das suas fontes físicas, produz-se estado de tensão, com possibilidade de irrupção.
           Daí por que as defesas bem sucedidas, que de fato, menos se entendem, têm menor importância na psicologia das neuroses. Nem sempre, porém, se definem com nitidez as fronteiras entre as duas categorias; há vezes em que não se consegue distinguir entre “um impulso que foi transformado pela influência do ego”e “um impulso que irrompe com distorção, contra a vontade do ego e sem que este o reconheça”.Este último tipo de impulso há de produzir atitudes constrangedoras, há de repetir-se continuamente, jamais permitirá relaxamento pleno gerará fadiga.

SUBLIMAÇÃO

           É o mais eficaz dos mecanismos de defesa, na medida em que canaliza os impulsos libidinais para uma postura socialmente útil e aceitável.
           As defesas bem sucedidas podem colocar-se sob o título de sublimação, expressão que não designa mecanismo específico; vários mecanismos podem usar-se nas defesas bem sucedidas; por exemplo, a transformação da passividade em atividade; o rodeio em volta do assunto, a inversão de certo objetivo no objetivo oposto. O fator comum está em que, sob a influência do ego, a finalidade ou o objeto (ou um e outro) se transforma sem bloquear a descarga adequada. ( O fator de valoração que habitualmente se inclui na definição de sublimação é melhor omitir ). Deve-se diferenciar a sublimação das defesas que usam contracatexias; os impulsos sublimados descarregam-se, se bem que drenados por uma trilha artificial, enquanto os outros não se descarregam.
           Na sublimação, cessa o impulso original pelo fato de que a respectiva energia é retirada em benefício da catexia do seu substituto. Nas outras defesas, a libido do impulso original é contida por uma contracatexia elevada.
          As sublimações exigem uma torrente incontida de libido, tal qual a roda de um moinho precisa de um fluxo d’água desimpedido e canalizado. É por isto que as sublimações aparecem após a remoção de certa repressão. Para usar uma metáfora, as forças defensivas do ego não se opõem frontalmente aos impulsos originais, conforme ocorre no caso das contracatexias, mas incidem angularmente; daí uma resultante em que se unificam a energia instintiva e a energia defensiva, com liberdade para atuar. Distinguem-se as sublimações das gratificações substitutivas neuróticas pela sua dessexualização, ou seja, a gratificação do ego já não é fundamentalmente instintiva.
           Quais são os impulsos que experimentam vicissitudes desta ordem e quais são as condições que determinam a possibilidade ou a impossibilidade de sublimação?
Se não forem rejeitados pelo desenvolvimento de uma contracatexia (o que os excluirá do desenvolvimento ulterior da personalidade), os impulsos prégenitais e as atitudes agressivas concomitantes organizam-se, mais tarde sob a primazia genital. A realização mais ou menos completa desta organização é indispensável para que tenha êxito a sublimação daquela parte da pré-genitalidade que não é usada sexualmente no mecanismo do pré- prazer. É muito pouco provável a existência de sublimação da sexualidade genital adulta; os genitais constituem um aparelho que visa à realização da descarga orgástica plena, isto é, não sublimada. O objeto da sublimação são os desejos pré-genitais. Se estes, porém, tiverem sido reprimidos e se permanecem no inconsciente, competindo com a primazia genital, não podem ser sublimados. A capacidade de orgasmo genital é que possibilita a sublimação (dessexualização) dos desejos pré-genitais.
           O que determina a possibilidade de o ego conseguir chegar à solução feliz desta ordem não é fácil dizer. Caracteriza-se a sublimação por:
a)Inibição do objetivo
b)Dessexualização
c)Absorção completa de um instinto nas respectivas eqüelas
d)Alteração dentro do ego; qualidades todas estas que também se vêem nos resultados de umas tantas identificações, qual seja, no processo de formação do superego.
           O fato empírico das sublimações, sobretudo as que se originam na infância, dependerem da presença de modelos, de incentivos que o ambiente forneça direta ou indiretamente, corrobora a asserção de Freud no sentido de que a sublimação talvez se relacione intimamente com a identificação. Mais ainda : Os casos de transtorno da capacidade de sublimar mostraram que esta incapacidade corresponde a dificuldades na promoção de identificações. Tal qual ocorre com certas identificações, também as sublimações são capazes de opor-se e se desfazerem, com êxito maior ou menor, certos impulsos destrutivos infantis; mas também podem satisfazer, de maneira distorcida, estes mesmos impulsos destrutivos; de algum modo, toda fixação artística de um processo natural “mata”este processo. É possível ver precursores das sublimações em certas brincadeiras infantis, nas quais os desejos sexuais se satisfazem por uma forma “dessexualizada” em seguida a certa distorção da finalidade ou do objeto; e as identificações também são decisivas neste tipo de brincadeiras.
           Varia muito a extensão da divisão do objetivo na sublimação. Há casos em que a diversão se limita a inibição do objetivo; a pessoa que haja feito a sublimação faz, precisamente, aquilo que o seu instinto exige que faça, mas isso depois que o instinto se dessexualize e se subordine à organização do ego. Noutros tipos de sublimação, ocorrem transformações de alcance muito maior. É até possível que certa atividade de direção oposta ao instinto original substitua, de fato, este último. Certas reações de nojo, habituais entre as pessoas civilizadas, sem vestígio das tendências instintivas infantis contra as quais se desenvolveram originalmente, incluem-se nesta categoria.O que ocorre, então, é idêntico ao que Freud chamou transformação no contrário; uma vez completada, toda a força de um instinto opera na direção contrária.

REPRESSÃO

           É a operação psíquica que pretende fazer desaparecer, da consciência, impulsos ameaçadores, sentimentos, desejos, ou seja, conteúdos desagradáveis, ou inoportunos.
Em sentido amplo, é uma operação psíquica que tende a fazer desaparecer da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: idéia, afeto, etc. Neste sentido, o recalque seria uma modalidade especial de repressão.
           Em sentido mais restrito, designa certas operações do sentido amplo, diferentes do recalque:
a)Ou pelo caráter consciente da operação e pelo fato de o conteúdo reprimido se tornar simplesmente pré-consciente e não inconsciente;
b)Ou, no caso da repressão de um afeto, porque este não é transposto para o inconsciente mas inibido, ou mesmo suprimido.

RACIONALIZAÇÃO

           É uma forma de substituir por boas razões uma determinada conduta que exija explicações, de um modo geral, da parte de quem a adota. Os Psicanalistas, em tom jocoso, dizem que racionalização é uma mentira inconsciente que se põe no lugar do que se reprimiu.
É um processo pelo qual o sujeito procura apresentar uma explicação coerente do ponto de vista lógico, ou aceitável do ponto de vista moral, para uma atitude, uma ação, uma idéia, um sentimento, etc., cujos motivos verdadeiros não percebe; fala-se mais especialmente da racionalização de um sintoma, de uma compulsão defensiva, de uma formação reativa. A racionalização intervém também no delírio, resultando numa sistematização mais ou menos acentuada.
           A racionalização é um processo muito comum, que abrange um extenso campo que vai desde o delírio ao pensamento normal.Como qualquer comportamento pode admitir uma explicação racional, muitas vezes é difícil decidir se esta é falha ou não. Em especial no tratamento psicanalítico encontraríamos todos os intermediários entre dois extremos; em certos casos é fácil demonstrar ao paciente o caráter artificial das motivações invocadas e incitá-lo assim a não se contentar com elas; em outros, os motivos racionais são particularmente sólidos (os analistas conhecem as resistências que a “alegação da realidade”, por exemplo, pode simular), mas mesmo assim pode ser útil colocá-los “entre parênteses” para descobrir as satisfações ou as defesas inconscientes que a eles se juntam.
           Como exemplo do primeiro caso encontraremos racionalizações de sintomas, neuróticos ou perversos ( comportamento homossexual masculino explicado pela superioridade intelectual e estética do homem, por exemplo) ou compulsões defensivas (ritual alimentar explicado por preocupações de higiene, por exemplo).

PROJEÇÃO

           Manifesta-se quando o Ego não aceita reconhecer um impulso inaceitável do Id e o atribui a outra pessoa.É o caso do menino que gostaria de roubar frutas do vizinho sem entretanto ter coragem para tanto, e diz que soube que um menino, na mesma rua, esteve tentando pular o muro do vizinho.
           Termo utilizado num sentido muito geral em neurofisiologia e em psicologia para designar a operação pela qual um fato neurológico ou psicológico é deslocado e localizado no exterior, quer passando do centro para a periferia, quer do sujeito para o objeto.
No sentido propriamente psicanalítico, operação pela qual o sujeito expulsa de si e localiza no outro- pessoa ou coisa- qualidades, sentimentos, desejos e mesmo “objetos”que ele desconhece ou recusa nele. Trata-se aqui de uma defesa de origem muito arcaica, que vamos encontrar em ação particularmente na paranóia, mas também em modos de pensar “normais”, como a superstição

DESLOCAMENTO

           É um processo psíquico através do qual o todo é representado por uma parte ou vice-versa. Também pode ser uma idéia representada por uma outra, que, emocionalmente, esteja associada à ela. Esse mecanismo não tem qualquer compromisso com a lógica. É o caso de alguém que tendo tido uma experiência desagradável com um policial, reaja desdenhosamente, em relação a todos os policiais.
           É muito corrente nos sonhos, onde uma coisa representa outra. Também se manifesta na Transferência, fazendo com que o indivíduo apresente sentimentos em relação a uma pessoa que, na verdade, lhe representa uma outra do seu passado.
Fato de a importância, o interesse, a intensidade de uma representação ser suscetível de se destacar dela para passar a outras representações originariamente pouco intensas, ligadas à primeira por uma cadeia associativa.
           Esse fenômeno, particularmente visível na análise do sonho, encontra-se na formação dos sintomas psiconeuróticos e, de um modo geral, em todas as formações do inconsciente.
A teoria psicanalítica do deslocamento apela para a hipótese econômica de uma energia de investimento suscetível de se desligar das representações e de deslizar por caminhos associativos.
           O “livre”deslocamento desta energia é uma das principais características do modo como o processo primário rege o funcionamento do sistema inconsciente.

IDENTIFICAÇÃO

           É o processo psíquico por meio do qual um indivíduo assimila um aspecto, um característica de outro, e se transforma, total ou parcialmente, apresentando-se conforme o modelo desse outro. A personalidade constitui-se e diferencia-se por uma série de identificações.
           Freud descreve como característico do trabalho do sonho o processo que traduz a relação de semelhança, o “tudo como se”, por uma substituição de uma imagem por outra ou “identificação”.
           A identificação não tem aqui valor cognitivo: é um processo ativo que substitui uma identidade parcial ou uma semelhança latente por uma identidade total.

REGRESSÃO

           É o processo psíquico em que o Ego recua, fugindo de situações conflitivas atuais, para um estágio anterior. É o caso de alguém que depois de repetidas frustrações na área sexual, regrida, para obter satisfações, à fase oral, passando a comer em excesso.
Considerada em sentido tópico, a regressão se dá, de acordo com Freud, ao longo de uma sucessão de sistemas psíquicos que a excitação percorre normalmente segundo determinada direção.
           No seu sentido temporal, a regressão supõe uma sucessão genética e designa o retorno do sujeito a etapas ultrapassadas do seu desenvolvimento (fases libidinais, relações de objeto, identificações, etc.).
           No sentido formal, a regressão designa a passagem a modos de expressão e de comportamento de nível inferior do ponto de vista da complexidade, da estruturação e da diferenciação.
           A regressão é uma noção de uso muito frequênte em psicanálise e na psicologia contemporânea; é concebida, a maioria das vezes, como um retorno a formas anteriores do desenvolvimento do pensamento, das relações de objeto e da estruturação do comportamento.
           Freud é levado então a diferenciar o conceito de regressão, como o demonstra esta passagem acrescentada em 1914 em três espécies de regressões:
a)Tópica, no sentido do esquema do aparelho psíquico.A regressão tópica é particularmente manifestada no sonho, onde ela prossegue até o fim.Encontra-se em outros processos patológicos em que é menos global (alucinação) ou mesmo em processos normais em que vai menos longe (memória).
b)Temporal, em que são retomadas formações psíquicas mais antigas.
c)Formal, quando os modos de expressão e de figuração habituais são substituídos por modos primitivos. Estas três formas de regressão, na sua base, são apenas uma, e na maioria dos casos coincidem, porque o que é mais antigo no tempo é igualmente primitivo na forma e, na tópica psíquica, situa-se mais peto da extremidade perceptiva.

ISOLAMENTO

           É um processo psíquico típico da neurose obsessiva, que consiste em isolar um comportamento ou um pensamento de tal maneira que as suas ligações com os outros pensamentos, ou com o autoconhecimento, ficam absolutamente interrompidas, já que foram (os pensamentos, os comportamentos), completamente excluídos do consciente.
           Entre os processos de isolamento, citemos as pausas no decurso do pensamento, fórmulas, rituais, e,de um modo geral, todas as medidas que permitem estabelecer um hiato na sucessão temporal dos pensamentos ou dos atos.
           Certos doentes defendem-se contra uma idéia, uma impressão, uma ação, isolando-as do contexto por uma pausa durante a qual “… nada mais tem direito a produzir-se, nada é qualificada de mágica por Freud; aproxima-a do processo normal de concentração no sujeito que procura não deixar que o seu pensamento se afaste do seu objeto atual.
           O isolamento manifesta-se em diversos sintomas obsessivos; nós o vemos particularmente em ação no tratamento, onde a diretriz da associação livre, por lhe se oposta, coloca-o em evidência (sujeitos que separam radicalmente a sua análise da sua vida, ou determinada sequência de idéias do conjunto da sessão, ou determinada representação do seu contexto ideoafetivo).
           Freud reduz, em última análise, a tendência para o isolamento a um modo arcaico de defesa contra a pulsão, a interdição de tocar, uma vez que “… o contato corporal é a finalidade imediata do investimento de objeto, quer o agressivo quer o terno”.
           Nesta perspectiva, o isolamento surge como “… uma supressão da possibilidade de contato, um meio de subtrair uma coisa ao contato; do mesmo modo, quando o neurótico isola uma impressão ou uma atividade por pausa, dá-nos simbolicamente a entender que não permitirá que os pensamentos que lhes dizem respeito entrem em contato associativo com outros”.
           Na realidade, pensamos que seria interessante reservar o termo isolamento para designar um processo específico de defesa que vai da compulsão a uma atitude sistemática e concentrada, e que consiste numa ruptura das conexões associativas de um pensamento ou de uma ação, especialmente com o que os precede e os segue no tempo.

FORMAÇÃO REATIVA

           É um processo psíquico que se caracteriza pela adoção de uma atitude de sentido oposto a um desejo que tenha sido recalcado, constituindo-se, então, numa reação contra ele. Uma definição: é o processo psíquico, por meio do qual um impulso indesejável é mantido inconsciente, por conta de uma forte adesão ao seu contrário.
           Muitas atitudes neuróticas existem que são tentativas evidentes de negar ou reprimir alguns impulsos, ou de defender a pessoa contra um perigo instintivo. São atitudes tolhidas rígidas, que obstam a expressão de impulsos contrários, os quais, no entanto, de vez em quando, irrompem por diversos modos.
           Nas peculiaridades desta ordem, a psicanálise, psicologia “desmascaradora” que é, consegue provar que a atitude oposta original ainda está presente no inconsciente.Chamam-se formações reativas estas atitudes opostas secundárias.
           As formações reativas representam mecanismo de defesa separado e independente? Dão mais impressão de constituir conseqüência e reafirmação de uma repressão estabelecida. Quando menos, contudo, significam certo tipo de repressão que é possível distinguir de outras repressões. Digamos: É um tipo de repressão em que a contractexia é manifesta e que, portanto, tem êxito no evitar de atos repressivos muito repetidos de repetidos de repressão secundária. As formações reativas evitam repressões secundárias pela promoção de modificação definitiva, “uma vez por todas”, da personalidade. O indivíduo que haja constituído formações reativas não desenvolve certos mecanismos de defesa de que se sirva ante a ameaça de perigo instintivo; modificou a estrutura da sua personalidade, como se este perigo estivesse sem cessar presente, de maneira que esteja pronto sempre que ocorra.

  SUBSTITUIÇÃO

           Processo pelo qual um objeto valorizado emocionalmente, mas que não pode ser possuído é inconscientemente substituído por outro, que geralmente se assemelha ao proibido. É uma forma de deslocamento.

FANTASIA

           É um processo psíquico em que o indivíduo concebe uma situação em sua mente, que satisfaz uma necessidade ou desejo, que não pode ser, na vida real, satisfeito.
É um roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente.
           A fantasia apresenta-se sob diversas modalidades:
a)Fantasias conscientes ou sonhos diurnos
b)Fantasias inconscientes como as que a análise revela, como estruturas subjacentes a um conteúdo manifesto
c)Fantasias originárias

COMPENSAÇÃO

           É o processo psíquico em que o indivíduo se compensa por alguma deficiência, pela imagem que tem de si próprio, por meio de um outro aspecto que o caracterize, que ele, então, passa a considerar como um trunfo.

EXPIAÇÃO

           É o processo psíquico em que o indivíduo quer pagar pelo seu erro imediatamente.

NEGAÇÃO

           A tendência a negar sensações dolorosas é tão antiga quanto o próprio sentimento de dor. Nas crianças pequenas, é muito comum a negação de realidades desagradáveis, negação que realiza desejos e que simplesmente exprime a efetividade do princípio do prazer.
           A capacidade de negar pares desagradáveis da realidade é a contrapartida da “realização alucinatória dos desejos”. Anna Freud chamou este tipo de recusa do reconhecimento do desprazer em geral “pré-estádios da defesa”.

INTROJEÇÃO

           Originalmente, a idéia de engolir um objeto exprime afirmação; e como tal é o protótipo de satisfação instintiva, e não de defesa contra os instintos. No estádio do ego prazeroso purificado, tudo quanto agrada é introjetado. Em última análise, todos os objetos sexuais derivam de objetivos de incorporação. Do mesmo passo, a projeção é o protótipo da recuperação daquela onipotência que foi projetada para os adultos. Contudo, a incorporação, embora exprima “amor”, destrói objetivamente os objetos como tais, como coisas independentes do mundo exterior. Percebendo este fato, o ego aprende a usar a introjeção para fins hostis como executora de impulsos destrutivos e também como modelo de um mecanismo definido de defesa.
            A incorporação é o objetivo mais arcaico dentre os que se dirigem para um objeto. A identificação, realizada através da introjeção, é o tipo mais primitivo de relação com os objetos.

BIBLIOGRAFIA.

FENICHEL,O., Teoria Psicanalítica das Neuroses.Atheneu.2000
GREENSON,R.R., A Técnica e a Prática da Psicanálise. Imago.RJ. 1981
LAPLANCHE & PONTALIS. Vocabulário de Psicanálise (2000), Martins Fontes S.P.
CARVALHO, UYRATAN . Psicanálise I . Isbn.RJ.2000
HENRY EY. Manual de Psiquiatria.5º Edição. Masson/Atheneu

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Sigmund Freud


Melanie Klein


Wilfred Bion


Donald Winnicott


Jaccques Lacan


Heldegger


Isidoro Berenstein


Nietzsche


Immanuel Kant

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Psicossíntese, uma melhor visão de sua inteligência, um melhor caminho para as suas atitudes mentais diária.


 Deslocamento, Imaginação, Sonho, Lapso, Sentimento de Culpa... 
"Arco de Retorno" 
 


Embora tenha um aspecto complicado a psicossíntese é um método de abordagem simples: [E+(SO)+(NA+O)+id] = [E+(SO)+id]. Estas são algumas das fórmulas em que a psicossíntese apresenta os estados mentais do sujeito, sendo [E+NAE] – soma do Ego (Eu) com Núcleo de Auto-Estima – o objetivo final da mesma.        

Nossa metodologia vem sendo muito utilizada no Brasil não só na clínica, pois suas aplicabilidades transcendem vários campos: o cientifico, o não cientifico, o pedagógico, o religioso, o filosófico, o acadêmico, bem como em todas as áreas que têm a seus cuidados a saúde mental.

Não podemos deixar de lado é que todas essas características que julgamos apropriadas e intrínsecas ao ser humano são, na realidade, frutos de anseios reprimidos na infância, inevitavelmente elucubra na fase adulta, sob a ação dos fatores: Antropológicos (FA), Biológicos (FB) e Psicológicos (FP). O desígnio da ação destes fatores é induzir o indivíduo a ter um julgamento inferior de si mesmo.


A abordagem inicial como terapia de apoio no tratamento, elege com meta a promoção do processo de crescimento contínuo, integrando o corpo aos sentimentos, fazendo com que a mente leve o indivíduo harmoniosamente à plenitude de sua vida, acessando com isso em maiores níveis, suas capacidades e talentos e assim sua potencialização. Sendo assim, o processo terapêutico da psicossíntese é na verdade uma forma diferente do indivíduo ser conduzido a ver o outro lado do muro, o muro que o coloca do lado de dentro e o faz medroso, lhe dando a falsa impressão de protegido. E do lado de fora um verdadeiro e autêntico modo de viver, hostil, agressivo e competitivo, contudo verdadeiro e autêntico como todo ser humano por natureza o é, e por formação não se permite assumir.

Jorge Oliveira

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Pequena História da Psicanálise" - Prelúdio

                 
           A história da Psicanálise é a história da descoberta e da compreensão da mente inconsciente do homem. Ninguém, jamais viu o inconsciente. Sabe-se, porem, que existe devido aos seus poderosos efeitos, do mesmo modo como se conhece a desintegração dos átomos ou o fluxo dos impulsos elétricos.
           A história da Psicanálise apresenta as eminentes personagens que contribuíram para uma descoberta que mascou época – a descoberta do inconsciente. Cada uma dessas personalidades é um herói da luta que teve o homem para enfrentar e controlar os seus sentimentos ocultos.
           O mundo é grato ao médico Pinel pela sua inabalável convicção de que as doenças mentais devem ser encaradas e tratadas como doenças e não como crimes. Pois, dessa maneira, puderam essas doenças ser estudadas, sobrevindo, então, a compreensão da mente humana.
           Em seguida, vieram os trabalhos de Mesmer, Charcot, Breuer   e outros pioneiros obscuros. As tentativas que fizeram para aliviar o sofrimento emocional prepararam o terreno para que FREUD fizesse a sua grande descoberta do inconsciente e o explorasse.
           Todos nós temos um inconsciente. É o que governa nossa respiração, nossa digestão, as batidas do nosso coração e os passos que damos, servindo também de repositório de nossas lembranças secretas e revoltadas. É o inconsciente que nos impele para o sucesso ou o fracasso. Pode assombrar-nos, tornando nossa vida um pesadelo, como pode alegrar-nos, ajudando-nos a viver com mais exuberância.
           A descoberta do inconsciente proporcionou o conhecimento de que, nem sempre, somos os donos do nosso destino, e de que poderes desconhecidos nos governam a maior parte do tempo. O conhecimento e o controle daquilo que faz no inconsciente podem ajudar o homem a alcançar a suprema felicidade, pois é do inconsciente que jorram a criação e a imaginação. Mas, se deixarmos que o inconsciente se transtorne, poderá advir a destruição, seja lentamente, com a depressão, o mal físico, o alcoolismo ou a gula, seja rapidamente com os crimes de violência.   
           Que é Psicanálise? Uma ciência – a ciência da compreensão da mente. É, também, uma arte pela qual podemos inteirar-nos das impressões inconscientes e, com uma nova liberdade, liberar emoções aprisionadas, abandonando-se as ilusões que, um dia, serviram a um certo propósito, mas que no momento, só podem causar infelicidade.
           Freud, ao criar a Psicanálise, possibilitou ao homem libertar as turbulentas emoções interiores que o atormentam e acarretam erros prejudiciais, causando a ele como aos outros um sofrimento indescritível. A Psicanálise ajuda o homem a vencer suas próprias hostilidades, temores, preconceitos e hipocrisias, bem como a orientar seus impulsos e suas forças para realizações mais valiosas.
           Ao contrário da Psicologia, que é uma ciência geral, preocupada como os fenômenos observáveis da conduta humana e, ao contrário da Psiquiatria, que normalmente trata das moléstias mentais mais graves, a Psicanálise procura compreender os distúrbios comuns que estão sob a superfície de cada mente. Alguns acham que a Psicanálise vale apenas para os realmente enfermos, do ponto de vista emocional. Nada há que esteja mais longe da verdade. Basta que a pessoa queira ser ajudada, o que significa ter uma boa parcela de saúde emocional, para começar. Os que se sentem muito amedrontados e desconfiados, a ponto de não poderem solicitar ajuda, não se confiarão àquela atmosfera de livre associação tão necessária á Psicanálise.
           A Psicanálise serve para a pessoa normal que deseja algo mais da vida, que não está contente de existir num desespero tranqüilo, mas acredita haver um modo melhor de viver. Serve para o homem de negócios, atormentado e nervoso; para a dona de casa, preocupada e agitada: para a funcionária que ainda não achou casamento; para o cidadão que se casou muitas vezes; para a criança exasperada por contínuos acessos de raiva; para o homem e mulher que não conseguem deixar de beber ou de tomar soporíferos; para os solitários, para os deprimidos e para os que não se realizam.
           A Psicanálise provou que a natureza humana sofre mudanças e que ninguém precisa viver em desespero, senão o quiser. Qualquer processo semelhante ao crescimento leva tempo, pois implica em desenvolvimento. Mas, lentamente, inevitavelmente, a mudança ocorre no cérebro ou no coração de uma pessoa.
           Um número sempre crescente de pessoas já procura o Psicanalista antes de caírem na miséria absoluta. Sabem que não precisam mais ficar desesperadas nem sentir-se acuadas, pois existe uma técnica através da qual conseguem libertar-se do terror do passado.
           A Psicanálise tem apenas um pouco mais de um século de existência. O livro que sacudiu as ilusões do mundo - “A interpretação dos sonhos” apareceu em 1900. É admirável o quanto a Psicanálise realizou em tão curto lapso. Desde o início, tem ajudado milhares de pessoas a se libertarem da tirania emocional. Exerceu influência também nas vidas de muitos milhares mais, numa compreensão mais aguda que serviu para a criação dos filhos, para a educação e a medicina, para a literatura, para o teatro. Com ela, muitas ciências se beneficiaram ao ponto de completa revolução.
           Como resultado da descoberta dessa nova face da nossa mente ocorreram graduais mas profundas mudanças em nossas vidas. Hoje em dia, muitas pessoas procuram um conhecimento melhor e uma compreensão mais profunda dessa extraordinária força que possuem – o inconsciente.