Sociedade de Estudo Psicanalítico Contemporâneo

... Confiabilidade, comprometimento, contentamento do cliente, transparência, ajustamento, ética e valorização do profissional, estas são as propostas da SEPC. Atuando como Referencia de nobreza da Psicanálise.

"A aceitação de processos psíquicos inconscientes, o reconhecimento da doutrina da resistência e do recalcamento e a consideração da sexualidade e do complexo de Édipo são os conteúdos principais da Psicanálise e os fundamentos de sua teoria, e quem não estiver em condições de subscrever todos eles não deve figurar entre os Psicanalistas".

Sigmund Freud



sábado, 23 de abril de 2011

Comissão de Pesquisa em Ética Psicanalítica - COPEP

           O CBP ( I.N.N.G.), considerando a necessidade de estimular a pesquisa na área de ética psicanalítica, criou a Comissão de Pesquisa em Ética Psicanalítica - COPEP. Esta comissão tem por objetivo estimular a pesquisa na área de ética psicanalítica no âmbito do Conselho e abrir possibilidades para interagir com escolas de psicanálise e/ou centros de pesquisa, visando o cumprimento do princípio de que cabe ao Conselho: "Promover por todos os meios ao seu alcance, o perfeito desempenho técnico e moral da psicanálise e o prestígio e bom conceito da psicanálise, da profissão e dos que a exerçam". 

          Bolsa de Pesquisa para Estudantes de Psicanálise na área de Ética Psicanalítica 

REGIONAIS

          As Regionais são responsáveis pela presença ativa do CBP ( I.N.N.G.) nos Estados, e objetivam defender o exercício ético da Psicanálise, ao mesmo tempo em que verificam as condições de trabalho dos profissionais por meio de fiscalizações oficiosas descentralizadas.

          A criação das Regionais adveio da necessidade do CBP ( I.N.N.G.) descentralizar o atendimento prestado aos psicanalistas e estabelecimentos de saúde mental, propiciando a dinamização de suas atividades administrativas, judicantes oficiosas, de fiscalização oficiosa e de promoção ética.

E-mail:  cobrpsi@gmail.com

Câmaras Técnicas

SAÚDE MENTAL

Contas Públicas

COMPARATIVO DE DESPESA

Licitações

Cadastro

Concorrência

          É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprove possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto.

Concurso

          É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.

Leilão

          É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação.

Pregão

          Pregão é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns, promovida exclusivamente no âmbito da União, qualquer que seja o valor estimado da contratação, em que a disputa pelo fornecimento é feita por meio de propostas e lances em sessão pública.

Tomada de Preços

          Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.

Tabela de Valores

Agenda Cbpreba

HISTÓRIA

         História do Conselho Brasileiro de Psicanálise O CBP (I.N.N.G.), se faz representado no Estado da Bahia pela regional (CBPREBA); instituição sem fins lucrativos, de caráter filantrópico e de Utilidade Pública, atuante desde 10 de janeiro de 1978, busca a excelência do exercício da Psicanálise e o acesso à saúde mental de qualidade por todos os cidadãos.

          Desenvolve oficiosamente, serviço de interesse público por delegação do CBP ( I.N.N.G.), fundamentado em mais de trinta anos de história a serviço dos psicanalistas e da saúde mental.

Nossas atividades estão concentradas em ações do tipo:

1) Fiscalizadora oficiosa - responsável pela fiscalização oficiosa das instituições de Assistência Psicanalítica para o justo exercício de suas atividades;

2) Judicante oficiosa - responsável oficiosa pelo recebimento, apuração oficiosa de denúncias relacionadas à má conduta profissional, rigorosamente de acordo com o Código de Ética Psicanalítica, Resoluções e Normas publicadas pela instituição e pelo Conselho Brasileiro de Psicanálise CBP ( I.N.N.G.);

3) Cartorial - (Apostille de Haia)  APOSTILLE (Convention de la Haye du 5 octobre 1961) oficiosamente responsável pela divulgação de informes sobre registro de diplomas, títulos de especialidades, em ambito internacional, inscrições, transferências do CBP ( I.N.N.G.) e pelo cadastro de Pessoas Físicas e Jurídicas.

           O CBPREBA também participa de movimentos sociais que exigem melhor qualidade de atendimento e plena realização profissional na área da saúde mental (Cruz Vermelha).

          A implantação do SUS (Sistema Único de Saúde) e a luta constante do Conselho Brasileiro de Psicanálise ( I.N.N.G ), e suas regionais, para a inclusão da Psicanálise e dos Psicanalistas na instituição governamental, associam-se a outras atividades dirigidas à saúde mental, realizadas em parceria com representantes da sociedade civil.

sábado, 2 de abril de 2011

Psicoterapia e Psicanálise


Psicoterapia Individual. Destina-se a crianças, jovens, adultos e idosos com dificuldades nos relacionamentos amorosos e familiares, profissionais e sociais de modo geral, ou que desejam se desenvolver intelectual e emocionalmente, conhecendo-se melhor e resolvendo seus conflitos. Nas psicoterapias, as sessões se realizam com um ritmo de uma por semana.

Psicanálise. A Psicanálise, se destina a adolescentes, adultos ou idosos, sendo mais aprofundada e especialmente recomendada no tratamento  de obsessões, fobias, depressões, estados melancólicos, doenças psicossomáticas, alcoolismo e dependência química. Os tratamentos psicanalíticos requerem um ritmo de, pelo menos, duas sessões semanais.

 Psicoterapia de Grupo e Família

Psicoterapia Psicanalítica do Casal. Destina-se ao tratamento das crises conjugais ou distúrbios na integração afetivo-sexual do casal. Realiza-se com um ritmo de uma sessão semanal.

Psicoterapia Psicanalítica Grupal. Esta modalidade se realiza em grupos de participantes de ambos sexos, podendo existir grupos com composição homogênea formados por adolescentes, adultos ou idosos; ou ainda grupos 'específicos' com pacientes psicossomáticos, grupos de gestantes etc.

Psicoterapia Psicanalítica do Grupo Familiar. Visa o tratamento de crises familiares, motivadas por separações dos pais ou conflitos entre pais e filhos. Também se destina às famílias em que um dos integrantes apresenta um surto psicótico ou está em tratamento psicoterapêutico. Nestes casos, a psicoterapia do grupo familiar é imprescindível por ser a família o abrigo e o estímulo para a melhoria do paciente em tratamento.

Psicanálise


            A psicanálise nasce na Áustria e tem como grande criador Sigmund Freud (1856 - 1939), que era médico em Viena e fundamenta a psicanálise na prática médica, recuperando para a psicologia a importância da afetividade. O objeto de estudo da psicanálise é o inconsciente, o que quebra com a tradição da psicologia como ciência da consciência e da razão. Esta linha teórica ousou colocar “processos misteriosos” do psiquismo, as “regiões obscuras”, como é o caso das fantasias, dos sonhos, esquecimentos e outros problemas internos do homem, como problemas científicos. Foi a investigação destes processos psíquicos que levou Freud à criação da psicanálise. A teoria baseia-se em conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento da vida psíquica, caracterizando leis gerais sobre a psique humana.
            A psicanálise utiliza-se da interpretação para buscar o significado oculto das coisas. Seu método de investigação consiste em buscar o significado inconsciente das palavras, ações e produções imaginárias de um indivíduo. Este método é baseado em associações livres do indivíduo, que dão validade às interpretações. Os psicanalistas têm uma prática para o tratamento psicológico, através da análise psicoterápica que visa cura ou auto-conhecimento. O paciente é analisado e, como nada sabe, ou sabe muito pouco a respeito dos motivos de sua doença, o profissional tem como função lhe ensinar a compreender a composição das formações psíquicas mais complicadas, reduzindo os sintomas que provocam sofrimento. Toda a psicanálise está muito vinculada ao trajeto pessoal de Freud, porque grande parte da produção de conhecimento teórico foi baseada em experiências pessoais do autor, que foram transcritas em várias obras. Freud formou-se em medicina na universidade de Viena em 1881.
            Especializou-se em psiquiatria, trabalhou em um laboratório de fisiologia e deu aulas de neuropatologia. Ele começou a clinicar por problemas financeiros e seus pacientes eram pessoas que sofriam de “problemas nervosos”. Quando terminou a residência, Freud ganhou uma bolsa para estudar em Paris, onde trabalhou com Charcot, um psiquiatra francês que tratava as histerias através da hipnose. Esta prática foi utilizada por Freud quando ele voltou a Viena e, nesta ocasião, teve um importante contato com Josef Breuer, que ajudou na continuidade das investigações. Breuer era médico famoso e tratava de um caso muito significativo. A paciente chamava-se Ana O. e sofria de distúrbios somáticos que produziam paralisia com contratura muscular, inibições e dificuldade de pensamento.
             Nesta época, Ana O. cuidava do pai doente e a conclusão do tratamento foi que ela tinha pensamentos e afetos em relação ao desejo de que o pai morresse. Estas idéias e pensamentos foram reprimidos e substituídos por sintomas que só eram esclarecidos sob hipnose, onde a paciente relatava as suas origens. Segundo Freud a rememoração destes sintomas fazia com que eles desaparecessem. Breuer parou de trabalhar com hipnose, porque nem todos os pacientes prestavam-se a ser hipnotizados e, portanto, mudou sua técnica para a concentração que se dava através da conversação normal. A principal função da clínica psicanalítica, que se dá através da análise, é buscar a origem dos sintomas ou dos comportamentos manifestos, ou do que a pessoa verbaliza. Para atingir os objetivos da psicanálise, é necessário vencer as resistências do indivíduo que impedem o acesso ao inconsciente. A psicanálise entrou em modismo, o que levou diversos autores a produzirem, em nome desta teoria, trabalhos cujo conteúdo, métodos e até mesmo os resultados, não condizem com a psicanálise propriamente dita.
Andréia Tecchio

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cronologia das ocorrências marcantes da vida de Sigmund Freud


1856 – Freud nasce, no dia 6 de maio, em Freiberg, na Morávia, então parte do Império Austro-Húngaro (hoje a República Checa).
1873- Ingressa no curso de Medicina, na Universidade de Viena, de onde sairia formado em 1881
1886- Em abril deste ano, abre seu primeiro consultório
1895- Publica, em parceria com Josef Breuer, “Estudos Sobre a Histeria”. Neste mesmo ano Freud começa a analisar seus próprios sonhos.
1896- Usa o termo Psicanálise pela primeira vez
1899- Publica o livro “A Interpretação dos Sonhos”.
1902- É nomeado professor da Universidade de Viena; funda a Sociedade Psicológica das Quartas-feiras
1905- Publica vários importantes trabalhos. Entre eles:
· “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”,
· “Os Chistes e Suas Relações com o Inconsciente”
· “Fragmentos da Análise de um Caso de Histeria”
1910- Funda a International Psycho-Analytical Association, da qual Jung é o primeiro presidente.
1938- Quando a Áustria é anexada à Alemanha, a casa de Freud e a Associação Vienense de Psicanálise são vasculhadas; Anna Freud, filha caçula de Sigmund e Martha Freud, é presa e interrogada pela Gestapo. Em junho, emigra para a Inglaterra
1939- Morre, no dia 23 de setembro, em Londres, em decorrência de um câncer.


Sigmund Freud
 
O menino Sigismundo, nascido em 1856 em Freiberg - cidade da Morávia, região que na época era uma parte católica do Império Austro-Húngaro -, aos 22 anos mudou seu nome para, talvez se mirando na mudança da cidade, que passou a se chamar Pribor, e do país, a Checoslováquia. Este primeiro (de 8) filho de uma mulher de 21 anos, e de um homem de 41 que trazia 2 filhos de uma ligação anterior, casou-se aos 26 anos, teve seu primeiro filho aos 31 e seu sexto aos 39.
Aos 4 anos, seu pai, comerciante judeu de lãs, arruinado por uma crise econômica, mudou-se para a cosmopolita Viena, cidade que nunca entusiasmou e que não via com bons olhos estes 10% de seus 2 milhões de habitantes que eram judeus, mas onde viveu até os 82 anos de idade, quando foi obrigado a sair pela ameaça do nazismo, que desde 1933 queimava sua obras.
Aos 17, o adolescente pretensioso e visionário escreveu a um amigo: "como amigo desinteressado, eu o aconselho a conservar estas cartas.... nunca se sabe...". Já se mostrava ansioso por ser pessoa importante, este rapazinho que conseguira que a mãe tirasse de casa o piano da irmã que atrapalhava seus estudos.
Seus heróis de então eram Anibal, inimigo de Roma, Napoleão, filho da Revolução Francesa, e Cromwell, estadista inglês (um de seus filhos chamou-se Oliver). Era um revolucionário com imperioso desejo de independência, e que, portanto, não podia deixar de sentir uma ponta de desprezo pelo pai que, por volta de seus 10 anos, se deixaria desalojar grosseiramente da calçada em que vinha, por um anti-semita.
A figura do pai atravessava sua existência, seja pelos insucessos seja pelas fortes marcas. Os sonhos de Freud trouxeram à tona a lembrança de quando o menino Freud urinou na cama aos 2 anos e seu pai afirmou que "...este menino nunca vai chegar a ser gente...". Foi Freud quem disse que a morte de um pai é o acontecimento mais importante na vida de um homem; que não conseguia imaginar uma necessidade mais forte na infância que a proteção de um pai e que a essência do sucesso e que a essência do sucesso é ir mais longe que o próprio pai.
A história da vida de Freud e a história da psicanálise se entrelaçam intimamente, a ponto de se poder dizer que ela chegou a ser todo o conteúdo de sua existência, no sentido de uma permanente atitude investigatória dirigida para os misteriosos eventos da mente humana. Ele sempre afirmou a necessidade de se livrar da "inocente fé na autoridade" para poder percorrer caminhos novos; os trajetos dos outros lhe pareciam importantes...como referências para o seu próprio.
A associação, em 1892, com o professor Breuer, em torno do estudo do caso de sua cliente histérica Anna O (pseudônimo de Bertha Pappenheim), foi crucial para o desenvolvimento do método catártico, em termos de uma pré-história da futura psicanálise. Ela, que cunhou seu processo terapêutico com Breuer como uma "limpeza de chaminé" (chimney sweeping) através de uma "cura pela palavra" (talking cure), propiciou um início de interese de Freud pela psique humana que jamais se interrompeu. Este método de Breuer, baseado na hipnose, logo foi abandonado por Freud, que seguiu caminho próprio, explicando a formação da estrutura patológica por um processo que chamou de recalcamento, e que em seguida percebeu poder se referir também à normalidade de sonhos, lendas, contos de fada, atos falhos e ao acaso, ditos espirituosos, ou seja, a quaisquer eventos psíquicos. Foi ele o primeiro a ter uma visão galileana para as atividades psíquicas, considerando serem as mesmas leis a explicarem tanto a patologia como a normalidades mentais, ao invés de estabelecer classes com essências diferentes - aristotelicamente - para uma e para outra.
Observando fenômenos tais como a resistência e a transferência, Freud desenvolveu uma forma de trabalho que se distinguiu profundamente da Medicina. Enquanto esta permaneceu tendo como método básico o da anamnese, em que o médico é que inicialmente direciona a investigação, a psicanálise surgiu tendo como método próprio o da livre associação, em que o analista escuta, aguardando que o analisando instaure a direção de um relacionamento que, embora conduzido pelo analista, fica marcado por esta instauração. Com isto, as interpretações, as associações, as construções, os cortes, enfim, os instrumentos de que dispõe, propiciam ao analista psicanalisar, na esperança de conseguir ajudar a buscar "uma vida produtiva e prazerosa", como ele dizia.
A livre associação como método, a abstinência como postura e a transferência como campo de ação, é que garantem, segundo Freud, que o trabalho feito com os instrumentos de que dispõe a psicanálise, seja efetivamente psicanalítico. O ponto de partida, entretanto, para que alguém possa realizar este trabalho, é uma análise pessoal, já que, para poder sustentar um processo subjetivo, há que se submeter a uma experiência estruturalmente equivalente.
Freud criou e organizou todo um mundo de idéias no terreno da psicanálise, em que esta aparece como novo processo terapêutico, como método original de investigação da mente humana, como conjunto teórico singular explicativo do seu funcionamento e mesmo como movimento agregador para a defesa e difusão destas idéias. Os que o sucederam, criaram e desenvolveram ainda mais suas concepções, uns de forma tímida e pouco conhecida, outros com a fama a premiar sua inventividade. Mas, de forma inédita para qualquer ramo de investigação que se proponha ser científico, somente na psicanálise todos os que vieram após seu fundador, a ele sempre se referenciam e nele se apoiam para realizar seus desenvolvimentos, tanto clínicos quanto teóricos.
Extraordinário criador de idéias, investigador incansável, sempre tolerante com as fragilidades do ser humano em quem reconhecia um permanente desamparo fundamental, brilhante defensor da prioridade das emoções para explicar o comportamento humano, jamais se deixava desviar do caminho da busca de verdades; não as verdades estabelecidas, fixas e definitivas, mas aquelas que levavam a um eterno buscar, a uma investigação permanente e desafiadora, a um infinito vir a ser. Somente sua morte - por câncer no maxilar, aos 83 anos - interrompeu esta fulgurante e trabalhosa trajetória. Somente a morte fez cessar aquilo que se tornou a marca desta trajetória, inclusive em referência ao objetivo nuclear do trabalho clínico psicanalítico: o movimento psíquico.

Ary Band

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Zelando pelo desempenho ético da Psicanálise


          
          O Conselho Brasileiro de Psicanálise, CBP - INNG é uma Instituição Nacional Não Governamental que possui atribuições de fiel repositório informativo, estatístico, colaborativo da auto-regulamentação e normatização da prática psicanalítica e é representado por  Regionais em todo o Território Nacional.
          Criado em 1978, sua competência inicial reduzia-se ao Cadastro Nacional dos Psicanalistas e à divulgação do Código de Ética Psicanalítica.
          Nos últimos 10 anos, o Brasil e a categoria psicanalítica mudaram muito, e hoje, as atribuições e o alcance das ações desta Instituição estão mais amplas, extrapolando à divulgação do Código de Ética Psicanalítica, normatização e a auto-regulamentação da prática profissional.
          Atualmente, o Conselho Brasileiro de Psicanálise, CBP, exerce um papel político muito importante na sociedade, atuando na defesa da saúde mental da população e dos interesses da classe psicanalítica.
          A Instituição traz um histórico de luta em prol dos interesses da saúde mental e do bem estar do povo brasileiro, sempre voltado para a adoção de políticas de saúde mental dignas e competentes, que alcancem a sociedade indiscriminadamente.
         Ao defender os interesses corporativos dos psicanalistas (independentemente de qualquer discriminação de: escola, linha, associação, sociedade, círculo, núcleo, laço,sindicato, centro, colégio, instituto, faculdade, cor, raça, religião ou ideologias políticas), assim como, a regulamentação da profissão psicanalítica, o CBP - INNG empenha-se em defender a boa prática da psicanálise, o exercício profissional ético e uma boa formação técnica e humanista, convicto de que a melhor defesa da psicanálise e dos psicanalistas é a UNIÂO DE TODOS OS PSICANALISTAS DO BRASIL em prol da garantia de serviços psicanalíticos de qualidade para a População Brasileira.
Além de zelar pelo desempenho ético da psicanálise e pelo bom conceito da profissão, o CBP organiza uma série de atividades e presta alguns serviços aos psicanalistas e à sociedade brasileira, entre os quais: 
Cadastro Nacional dos Psicanalistas
          O Cadastro Nacional dos Psicanalistas é a inserção gratuita, do nome do psicanalista, no índice referente ao Estado Brasileiro em que atua, ficando assim mais fácil, a procura dos clientes pelos profissionais. 
Agenda
           O site do CBP - INNG esta aberto, para a publicação dos principais encontros científicos psicanalíticos (de todas as escolas e linhas da psicanálise).
 Assessoria Jurídica
           A Assessoria Jurídica do CBP - INNG tenta zelar pelo bom exercício da prática psicanalítica em todo o território nacional. 
Biblioteca
           A Biblioteca do CBP - INNG possui um acervo especializado na área de Ética Psicanalítica, Bioética, Direito Psicanalítico e Clínica Psicanalítica.  
Educação Psicanalítica Continuada
           O CBP - INNG coloca à disposição dos psicanalistas e instituições de ensino, as fitas de vídeo com os programas das séries Bioética, Psicanálise Brasileira e Práticas Psicanalíticas.  
Auto-Regulamentação e a Normatização da Profissão
           Toda a legislação referente à área psicanalítica está disponível para consulta no nosso site. Pareceres, resoluções, leis e decretos, além do Código de Ética Psicanalítica.
CADASTRO NACIONAL DOS PSICANALISTAS
          O Cadastro Nacional dos Psicanalistas (CNP) é mantido pelo Conselho Brasileiro de Psicanálise (INNG), que exerce a função de fiel repositório do cadastro de todos os psicanalistas do Brasil.
IMPORTANTE: O Cadastro Nacional dos Psicanalistas é um órgão do Conselho Brasileiro de Psicanálise (INNG) que é uma instituição sem finalidades lucrativas e de utilidade Pública, não cobra absolutamente nada dos seus serviços ou envia boletos de cobrança aos psicanalistas cadastrados.
          Os valores do CBP - (INNG), é primar pelos princípios da ética, transparência, integridade, qualidade, compromisso com resultados e multiplicação e disseminação de conhecimento psicanalítico, legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e da eficiência da Psicanálise e dos Psicanalistas e não fará qualquer discriminação de raça, cor, gênero, religião, escola, linha, sociedade, associação, sindicatos e institutos.
          O intuito do CBP - (INNG) ao criar o Cadastro Nacional dos Psicanalistas surge capacitado através de equipe técnica e parcerias qualificadas para não somente projetar, mas realizar programas de interesses emergentes obtendo o foco coletivo.
          Através do Cadastro Nacional do Psicanalista você tem um perfil profissional único, onde os seus dados ficam centralizados e disponíveis para serem consultados por seus pacientes ou outros profissionais, gerando com isso uma rede social de Psicanalistas e uma rede de contatos com profissionais de sua área.
          Através do Cadastro Nacional do Psicanalista, o profissional cadastrado terá seu nome e numero de cadastro, divulgados das mais variadas formas possíveis que a internet possibilita e em todos os veículos de comunicações nacionais e internacionais.
          O CBP - (INNG) no intuito de colaborar com o Governo Federal criou uma base de dados integrada:
 “O Governo Federal determinou a criação do CNT - Cadastro Nacional do Trabalhador, através do decreto 97.936 de 1989, na forma de consórcio entre Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), Ministério do Trabalho (MTb) e Caixa Econômica Federal (CEF). Posteriormente assumiu, conforme lei 8.212 de 1991, a denominação de CNIS”.
“Incluem-se neste universo os trabalhadores empregados ou contribuintes individuais, tais como empresários, funcionários públicos, ou quaisquer pessoas detentoras de NIT, PIS ou PASEP e que tenham informado a partir de 1971 (para empregados) ou 1973 (para contribuintes individuais) seus dados sociais, ou previdenciários ao governo federal.”
          Entre os benefícios que o Cadastro Nacional do Psicanalista poderá trazer estão: o acesso à lista de psicanalista de acordo com a área de atuação de cada um; a autonomia na utilização permanente de dados cadastrais via internet; a agilidade e facilidade na troca de informações entre as Regionais e o CBP - (INNG), propiciando otimização do tempo para gerar relatórios com informações necessárias para os psicanalistas e a psicanálise.
          O projeto do CBP - (INNG) é pioneiro e ousado permite a integração das bases de dados de todas as Regionais em uma única ferramenta on-line baseado no conceito de Sistemas para Web, e traz consigo uma série de benefícios para os usuários, entidades, profissionais e público em geral, como por exemplo, estatísticas resultantes do cruzamento de diversos dados, além de disponibilizar informações atualizadas em tempo real de fácil acesso por meio da rede mundial de computadores.


sábado, 6 de novembro de 2010

O Processo e a Escuta Psicanalíticos


          O processo psicanalítico se dá pela posição em que o psicanalista se coloca, da escuta de uma subjetividade, no limbo onde as palavras, os suspiros e os ritmos fazem uma dança diferente do que o conteúdo de seus enunciados poderia nos fazer pressupor. É porque a palavra é destituída de seu valor comunicacional usual que o processo analítico se instala. Pela atenção flutuante do analista, que pode tê-la por seu próprio inconsciente analisado e da associação livre do paciente, constitui-se este limbo de uma outra cena, onde o desconhecido irrompe inesperadamente, revelando os contornos de um fantasma inconsciente que obstaculizava o livre curso do desejo, propiciando, em geral, um alívio muito grande no sofrimento que sente quem procura uma análise. Para a Psicanálise, é uma fantasmática que estrutura o comportamento da vida de cada ser, as estruturas fantasmáticas procurando se exprimir, encontrar uma saída para a consciência e ação e, por isso, seu material não é só feito da sexualidade infantil recalcada e, portanto, inconsciente, mas também de novos materiais que são atraídos a ele. O fantasma é tal qual um espantalho, composto de pedaços de coisas desconexas, cada um de um lugar, resíduos de frases escutadas, restos de imagens, uma espécie de montagem surrealista construída em cima de um pensamento simples e curto que por várias razões teve de ser reprimido. A interpretação psicanalítica visa dissipar o fantasma e nesse sentido o psicanalista é um caçador de fantasmas que, em sua posição, permite àquilo que é de outra cena, marcada pela sexualidade infantil, se manifestar. O processo psicanalítico é longo porque é longo o processo de constituição do recalque e, portanto, igualmente longo o processo de levantamento do recalque e dissipação do efeito doloroso do fantasma. A escuta psicanalítica percorre um árduo caminho para pulverizar o fantasma no vazio entre os corpos em que ele se instalou, restituindo-o a seus corpos de origem, para que, do vazio, possa renascer o desejo, prevalecer as forças de vida. É porque o homem ocidental teme o vazio, que o fantasma pode se instalar, dando uma impressão de continuidade ilusória entre os corpos, anulando imaginariamente os intervalos entre eles. Se o sentido s e desdobra numa multiplicidade e infinidade, a palavra, um dos instrumentos para atingi-lo, deve trazer nela a intenção simultânea e paradoxal de instalar o sentido e o não sentido, não mais pensado como vazio, mas sim, como um fluxo vivo que possibilita novas criações.
         O inusitado da experiência psicanalítica faz com que se tenha a vivência da eficácia mágica da lenta cura pelas palavras. Em casos ou momentos mais difíceis, não só a palavra, mas outros recursos expressivos, os gestos, as produções artísticas, os escritos, os estados corporais e os atos.

A parceria da psicanálise com outros saberes

          É inegável que a Psicanálise pode encontrar parceiros em outros saberes e que junto deles há muito o que explorar. É inegável, qualquer que seja o caminho que tomem neste todo indissociável corpo-alma, psique-soma humanos, que o remédio psiquiátrico, as terapêuticas advindas da Neurociência e Neurofisiologia, como também a Filosofia, a Religião, os florais de Bach e a Homeopatia, ajudam o homem em seu sofrimento. Se a novidade psicanalítica colocou em relevo o corpo erógeno, não foi sem esquecer que nas bordas deste está o suporte do corpo em seu funcionamento físico-químico-biológico e a capacidade sublimatória humana. É inegável a atuação de um remédio antipsicótico na melhoria do fluxo ideativo, de um anti-depressivo que, em certos casos, ao atuar nos neurotransmissores, traz possibilidades representacionais inéditas para alguns pacientes que começam, por exemplo, a sonhar, a associar, a cometer lapsos, saindo do imobilismo psíquico depressivo. A questão é colocar, muitas vezes, o remédio como eliminador de sintomas que podem ser incômodos, mas que podem ser benéficos ao trabalho psíquico, quando presentes em certo grau. É a ideologia da eliminação radical do sofrimento que contraria a constituição trágica do humano, na qual a dor é tão constitutiva do viver como o é a alegria. O que a Psicanálise oferece é a possibilidade de viver o sofrimento psíquico com um outro, para poder gradativamente se apropriar dos meios de suportá-lo e transformá-lo.
          Um outro campo de parceria inequívoca é a chamada Psicossomática, que vem despertando enorme interesse, pelos desafios clínicos e teóricos que oferece tanto para o médico quanto para o psicanalista. É aqui que o paralelismo da alma e do corpo da filosofia de Spinoza ganha um novo contorno com a invenção do conceito de pulsão em Psicanálise, representante do soma na alma, e de um espaço psíquico que dá conta de suas manifestações.
          Quando a pulsão não pode aceder ao trabalho simbólico, quando não pode se transformar em angústia, quando o conflito psíquico não pode se constituir, ela estoura no corpo de maneira mortífera. A doença se produz por uma cisão entre a psique e o soma. O tratamento médico deve, então, vir acompanhado por uma difícil tentativa de transformar o sofrimento orgânico em sofrimento mental o que produzirá possibilidades e sintomas menos mortíferos, passíveis de transformação, além de uma maneira de vivenciar o corpo, cuja percepção é profundamente rudimentar ou deformada, de outra maneira.


Renata Udler Cromberg

  
         

 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Humor como um fenômeno transicional na clínica psicanalítica: uma hipótese




          Desde a época de Freud, alguns psicanalistas tentam adaptar a clínica psicanalítica aos chamados casos “difíceis” ou “incuráveis” pelas técnicas tradicionais. Sandor Ferenczi, já questionava se o fracasso terapêutico seria sempre uma “resistência” do paciente ou se não seria antes uma dificuldade do próprio analista em adaptar-se às particularidades de cada sujeito no plano do método. Chamava a atenção dos psicanalistas da época para que evitassem a hipocrisia profissional, a frieza e a intelectualização e procurassem agir com uma autêntica simpatia, pois achava que os pacientes adivinhavam, de maneira quase extralúcida, os pensamentos e as emoções do analista.
          Muitas vezes, o analista necessita de uma disponibilidade interna para improvisar técnicas criativas dentro do setting analítico. É que alguns pacientes requerem uma atenção diferente tirando o analista de sua neutralidade habitual. Desorganizado em seu arranjo neurótico e perturbado em sua aparente calma, o analista vê-se obrigado a lidar com a ação perturbadora e turbulenta do núcleo psicótico que eclode numa relação analítica com alguns pacientes. 
Autores como Winnicott, Bion, Joyce McDougall e mais recentemente, André Green, se preocuparam com as formas mais primitivas do funcionamento mental e com a necessidade do analista estimular durante o tratamento o processo de simbolização, pois acreditam que o cerne do problema de muitos casos clínicos reside na dificuldade do mecanismo de recalque nesses pacientes, cuja conseqüência é uma experiência avassaladora e insuportável diante da realidade externa.
          Sabemos que o processo de simbolização requer uma identificação secundária do sujeito com o objeto representante da lei que funda a cultura e impede a atuação das tendências edípicas.  Porém, essa identificação pressupõe também uma perda de status e de ilusão de completude narsícica, pois foi resultado de um “não” edípico que significou, dentre outras coisas, uma grande proibição trazendo sentimentos de abandono e rejeição.
          A identificação secundária constituirá um Superego por vezes mais “sádico”, “rígido” e “tirânico” do que a própria realidade que o constituiu.  Este superego pode tornar-se tão ameaçador que a impressão que se tem é que ele embota a capacidade do sujeito de percepção e tradução da realidade externa.
          O Ideal de Eu, nesses casos, pode ficar prejudicado pela incapacidade desse sujeito interiorizar os pais como modelos ideais a serem imitados.  Em conseqüência, não haverá uma recaptura narcísica, mas uma regressão ao estágio de Eu Ideal, onde o sujeito permanecerá protegido do sofrimento do fracasso edípico ou do intolerável encontro com o Princípio da Realidade.
          Sabemos que a passagem do princípio do prazer para o princípio da realidade requer uma ação psíquica do sujeito no sentido de conseguir adiar a satisfação alucinatória de desejo para a sua realização na realidade concreta e objetiva. Winnicott diz-nos que essa transição é potencialmente dolorosa, pois envolve uma aceitação do mundo do não-eu e uma relação com o mesmo.  A ação psíquica aqui seria o sujeito construir internamente uma área intermediária entre a fantasia e a realidade onde ele vai criar, através do jogo ou brincadeira, as primeiras experiências culturais, encontrar o seu verdadeiro self e tornar-se capaz de admitir a realidade externa. Winnicott sugere um caminho cujo entendimento teórico nos leva a fazer uma analogia com a tese de Freud sobre o jogo do carretel onde a criança, ao brincar com o aparecimento e desaparecimento (fort-da) do carretel, estaria tentando elaborar internamente a ausência do objeto amado.  Ou seja, o brincar constitui, em ambas teorias, uma forma de o sujeito defender-se da angústia das perdas ou separações.
          Se pensarmos que o aparelho psíquico é capaz, desde muito cedo, como afirma Winnicott, de buscar formas de defender-se da ansiedade através do brincar, veremos que, desde o início, o ego pode acompanhar o desenvolvimento do superego e integrá-lo como Lei, suportando as perdas e separações, sem torná-lo, necessariamente, um representante rígido, sádico, persecutório e temido.
          Não obstante, isso nem sempre acontece. Vemos na clínica que muitos pacientes nos chegam aparentando uma grande fragilidade egóica e uma grande incapacidade de lidar com a realidade externa.  Penso que um dos papéis do analista é o de ajudar a esse paciente a suportar sua angústia, fazendo-o aceitar as perdas e separações, não como uma morte ou fim de uma ilusão, mas como uma possibilidade de perceber o mundo sob uma nova ótica.
          O analista pode ajudar o paciente a fazer as pazes com sua castração, mostrando uma outra face do superego: um representante da lei, sim, porém, mais “camarada”, amigável e facilitador de uma relação do ego com o mundo externo.  Um superego que possa dar espaço para o surgimento de um ideal de ego autêntico e mais próximo da realidade. Tenho recebido em minha clínica muitos pacientes que mal conseguem formular uma questão sobre seu sofrimento e que tudo que dizem é que vivenciam um vazio interno que lhes causa dor e uma grande sensação de angústia. Esses pacientes não conseguem fazer um narrativa sobre si mesmos e geralmente apresentam sintomas ligados a uma falta de afetividade, intelectualização, ou atuação (psicossomática ou no meio ambiente).
          Noto nesses pacientes que aquilo que Freud descreveu como elaboração da ausência-presença do objeto, através da metáfora do jogo do carretel (Fort-Da), não é vivido por eles ou o é com muita precariedade.  Sabemos que esse jogo exige do sujeito uma ação criativa e singular, pois é justamente aí que ele vai entrar em contato com os seus afetos de amor e ódio em relação ao objeto e vai elaborar internamente o vácuo deixado pela ausência concreta desse objeto. Paralelamente a esse estágio de angústia de separação, Winnicott nos fala de um comportamento observado em crianças, em que elas utilizam-se de um fenômeno ou objeto (fenômeno ou objeto transicional) para defender-se contra a ansiedade do tipo depressiva numa fase de transição do princípio do prazer para o princípio da realidade. Esses objetos ou fenômenos transicionais simbolizariam algum objeto parcial, tal como o seio da mãe e, apesar de aparecerem em datas muito primitivas do desenvolvimento, podem reaparecer numa idade posterior quando a privação volta a ameaçar. 
          Tenho observado em minha clínica a capacidade de humor em alguns pacientes que se utilizam desta prática, principalmente nos momentos de medo, ódio, aflição e angústia. Noto que após cada observação espirituosa, e a conseqüente descarga do riso, ocorre uma tranqüilidade e se estabelece uma capacidade de pensar criativamente. É como se o excesso de impulso energético fosse descarregado do seu aparelho psíquico através do riso, aliviando o sujeito de uma carga muito grande de responsabilidade, ficando apenas o suficiente para ajudá-lo a formar o pensamento. Observo nos pacientes que possuem esse dom, que eles são mais aptos a suportar seus sofrimentos e encontrar saídas mais criativas para seus problemas.
          Sobre o humor, Freud escreveu que, dentre outras coisas, este tem algo de libertador e também de elevação e grandeza, e que esta grandeza reside sobretudo no triunfo do narcisismo e na invulnerabilidade do ego à compulsão do sofrer.  A pessoa estaria retirando a ênfase psíquica do ego e transpondo-a para o superego, e este se comportaria como um pai complacente mostrando a realidade externa para seu filho de forma lúdica e criativa.
          Embora Freud nos diga, em 1905, que existe uma função defensiva no humor, em 1927, afirma que o humor seria a contribuição feita ao cômico pela intervenção do superego ... e  ... se o superego tenta, através do humor, consolar o ego e protegê-lo do sofrimento, isso não contradiz sua origem no agente paterno. Ou seja, parece que o ato de defender o filho de um sofrimento desnecessário, apesar de ser uma maternagem, é também uma função paterna.  Assim, existiria nessa “defesa” do ego uma solução criativa, não para negar ou fugir da realidade externa, mas para suportar o sofrimento advindo dela. Dando ao mundo hostil uma versão também humorística,  o superego estaria preparando o ego para aquiescer à realidade externa, protegendo-o de uma angústia paranóide. 
          O superego estaria assim cumprindo uma função de introduzir o sujeito ao mundo externo regido pelas leis sociais e pela cultura sem tornar-se ameaçador ou persecutório. E o ego, identificando-se com a capacidade de humor do superego, introjetaria o mundo externo de forma mais suave, lúdica e criativa. Penso, deste modo, que se o humor é um dos mecanismos internos utilizados pelo ego para proteger-se da compulsão ao sofrimento e que, de certa forma, o ajuda a aquiescer à realidade externa, sem necessidade de negá-la ou cair num luto melancólico, poderíamos considerá-lo como um fenômeno transicional criado pelo sujeito, para estabelecer uma presença simbólica do objeto ausente ou da falta.
          Considerando esta possibilidade, a experiência de humor estaria ajudando o sujeito a aplacar suas ansiedades frente à transição e adaptação para o princípio da realidade, e, como tal, poderia ser utilizado dentro do espaço transicional da terapia como um instrumento terapêutico a favor do analista para interagir ludicamente com o paciente.
Marisa Queiroz de Oliveira e Silva