Sociedade de Estudo Psicanalítico Contemporâneo

... Confiabilidade, comprometimento, contentamento do cliente, transparência, ajustamento, ética e valorização do profissional, estas são as propostas da SEPC. Atuando como Referencia de nobreza da Psicanálise.

"A aceitação de processos psíquicos inconscientes, o reconhecimento da doutrina da resistência e do recalcamento e a consideração da sexualidade e do complexo de Édipo são os conteúdos principais da Psicanálise e os fundamentos de sua teoria, e quem não estiver em condições de subscrever todos eles não deve figurar entre os Psicanalistas".

Sigmund Freud



sábado, 28 de agosto de 2010

O que é a Hipnose

         
          A hipnose moderna tem sido usada, com sucesso, para construir a auto-estima, mudar hábitos, perder peso, parar de fumar, melhorar a memória, modificar problemas comportamentais em adultos e crianças, eliminar ansiedade, medos, fobias, tratar a depressão, stress, preparar o sujeito para cirurgias, entrevistas, exames etc. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 90%da população mundial pode ser hipnotizada.

Mas, o que é hipnose?
         
          Hipnose é um estado da mente que todos nós experimentamos, naturalmente, ao longo do dia. Por exemplo, ao dirigir o carro, você pode não se lembrar que está dirigindo, como se estivesse no piloto automático. O estado hipnótico natural também acontece quando você lê um bom livro, envolve-se com um filme interessante ou em qualquer outra atividade onde todas as outras coisas parecem ter sido bloqueadas. Alguém pode conversar com você e você pode não escutá-lo. Em qualquer circunstância onde seja necessária uma grande concentração, automaticamente você se transfere para um estado hipnótico natural.
          O uso da hipnoterapia é feito para acelerar o processo de terapia e encurtar o tempo de tratamento. O tempo varia de acordo com a pessoa e o problema, de uma sessão a alguns meses de trabalho.

Algumas áreas onde a hipnose tem bons resultados:

Depressão; Síndrome do Pânico; Obesidade; Timidez; Impotência; Stress; Ansiedade; Fobia Social; Fobia Específica; LER - Tendinite; Aprendizagem; Educação; Saúde; Cigarro; Auto-Estima; Ansiedade; Dor; Fibromialgia; Transtorno Obsessivo Compulsivo; Stress Pós-Traumático; Anorexia Nervosa; Bulimia; Gagueira; Medo de Falar em Público; Insônia; Sonambulismo.

Mitos e Verdades

          MITO DA INCONSCIÊNCIA - Muitos pensam que estar hipnotizado significa estar inconsciente. Há pessoas que até desejam ficar inconscientes para que "todos os seus problemas lhes sejam extraídos”.
Na verdade, o transe hipnótico é qualificado por uma dissociação consciente/inconsciente onde a consciência está presente, e é desejável que esteja para participar no processo de cura. Por estar
vivenciando um ensaio ameno eventualmente, a pessoa não se lembra do que foi falado, porque ficou alheia com pensamentos, imagens ou sons.
          MITO DE REVELAR SEGREDOS SEM QUERER - Mesmo em transe profundo a mente conserva um sentido de vigilância que protege a integridade da pessoa. Na hipnose Ericksoniana raramente a pessoa é convidada a falar. O inconsciente é capaz de resolver silenciosamente os conflitos mais profundos.
          MITO DE NÃO REGRESSAR DO TRANSE - Se, eventualmente, por estar numa experiência muito agradável ou num transe mais profundo, a pessoa não aceitar a sugestão de voltar do transe, basta deixá-la mais algum tempo, e espontaneamente, o transe hipnótico se transforma em sono fisiológico e ela desperta.
          MITO DE SER DOMINADA PELO HIPNOTERAPEUTA - Na hipnose Ericksoniana o estado de transe é sempre uma auto-hipnose. O hipnoterapeuta é um facilitador, um companheiro de viagem, apenas alguém que está ao lado enquanto o inconsciente da pessoa trabalha.
          MITO DA DEPENDÊNCIA - Um hipnoterapeuta cuidadoso tem sempre o cuidado de dar sugestões pós-hipnóticas de autonomia e liberdade. Ex:...E no dia a dia sua mente inconsciente pode continuar por si mesma com um processo natural e saudável de mudanças... Por isto a Hipnoterapia Ericksoniana é considerada uma terapia breve.
          MITO DE QUE A HIPNOSE POSSA SER MALÉFICA À PESSOA – O inconsciente é sábio e protetor, e absorve apenas aquilo que é saudável e útil. Naturalmente, como a hipnose é uma poderosa estratégia de comunicação com o inconsciente, só deve ser usado por pessoas devidamente treinadas, competentes e éticas. Uma pá é um excelente instrumento para remover terra, mas se for usado para atingir a cabeça de alguém pode matar.
          MITO DA REGRESSÃO - Hipnose não é regressão. A regressão é apenas um fenômeno hipnótico que pode ser usado quando necessário. Como dissemos antes, a hipnose é um fenômeno psíquico, um estado especial da mente que permite ações terapêuticas as mais diversas.

Transe Hipnótico

          É comum as pessoas ficarem curiosas para saber o que elas vivenciarão no transe. Tem algumas pessoas que imaginam que regressarão ao útero materno, outras imaginam que fatos importantes vão ser revelados durante o mesmo, outras acreditam e, portanto querem voltar a outras vidas passadas, etc. As expectativas das pessoas variam de acordo como aprenderam ou ouviram dizer sobre do que seja realmente o transe hipnótico.
          Uma coisa é importante às pessoas saberem: cada transe é único, ou melhor, acontece a cada vez de maneira diferente. Isto porque cada momento da vida de uma pessoa também é diferente. Sendo assim, pode parecer, à primeira vista, difícil para uma pessoa saber se realmente esteve em transe ou não. Na verdade, como já foi dito o transe é natural, e acontece tão naturalmente no nosso dia a dia, e na maioria das vezes tão rápida, que não nos damos conta. O que acontece no transe hipnótico é que ele pode se estender por um tempo maior, podendo assim a pessoa se dar conta das transformações que aconteceram com ela durante esse período.
          Durante o transe hipnótico acontecem os fenômenos hipnóticos, e são estes que mostram para o
hipnoterapeuta e, alguns para a própria pessoa que ela realmente esteve em transe. Muitos desses fenômenos acontecem naturalmente ou são induzidos pelo hipnólogo. São os fenômenos hipnóticos:

Rapport

          É o primeiro fenômeno que acontece. É o laço de confiança, pois o cliente se solta, na medida em que confia no hipnoterapeuta.

Catalepsia

          Devido ao relaxamento acentuado o corpo se comporta como se fosse de cera. Quando ocorrem os movimentos, estes são vagarosos. Posições normalmente desconfortáveis, como braços levantados, por exemplo, não provocam fadiga.

Distorção do tempo

          A percepção do tempo se altera para mais ou para menos. Trinta minutos parecem cinco, dez minutos parecem ter durado uma hora.

Dissociação

          Os estados psicológicos conscientes e inconscientes ficam separados. No estado de transe hipnótico o consciente está presente, mas a pessoa percebe que algo mais está acontecendo.

Amnésia

          É a perda da habilidade de lembrar. É diferente do esquecimento porque o conteúdo "esquecido" parece ter sido selecionado pela mente. Ocorre espontaneamente em transes profundos ou pode ser sugerido pelo hipnoterapeuta.

Hipermnésia

Aumento da capacidade de lembrar fatos do passado próximo ou remoto.

Regressão de idade

          Consiste em reviver estados psicológicos do passado espontaneamente ou por solicitação do hipnoterapeuta.

Progressão de idade

          Consiste em ver-se no futuro, projetar-se para o futuro imaginado ou desejado, e até mesmo formar um "eu futuro" que pode aconselhar ao "eu presente" sobre o que fazer para atingir objetivos saudáveis.

Alucinação positiva e alucinação negativa

          Na alucinação positiva a pessoa vivencia uma percepção na ausência do objeto. Na alucinação negativa a pessoa não percebe um objeto presente ( ex. pode-se sugerir à pessoa que o amigo fulano de tal - presente no ambiente - não se encontra ali , a pessoa hipnotizada não será capaz de ver o tal fulano).

Escrita automática

          Por sugestão do hipnoterapeuta a pessoa escreve em transe sem a vigilância ou interferência da mente consciente.

Sugestão pós-hipnótica

          Execução, após a experiência do transe, de instruções ou sugestões dadas durante o transe.

Analgesia - anestesia

        Analgesia consiste no entorpecimento da consciência da dor.
        Anestesia perda completa da consciência da dor. Fenômenos hipnóticos muito úteis em pessoas nas quais o uso de analgésicos e anestésicos é contra-indicado.

Hiperestesia

          Aumento da sensibilidade física normal.
          Movimentos ideomotores São movimentos automáticos de algumas partes do corpo que acontecem
automaticamente. (tremores, repuxões, levitações, etc.).

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Analise de Pais - Crianças: sintomas dos problemas dos pais


          Vivemos uma época de mudanças radicais em todos os aspectos da vida humana. Na família, sobretudo, as relações entre pais e filhos estão passando por momento muito difícil. Trata-se de uma verdadeira mutação. A família patriarcal cedeu lugar à família parental. A autoridade do pai diluiu-se. A autoridade parental (em que há igualdade entre pai e mãe) está com muita dificuldade de dar conta da educação dos filhos. Estamos num momento de passagem.
          Os pais como os educadores já não têm a mesma certeza que tinham os pais de 20 ou 30 anos atrás. Nossos filhos são influenciados pelos mais variados meios de comunicação e isso faz com que a educação dada em casa seja invadida por uma multiplicidade de solicitações. Essas influências chegam aos nossos filhos como informações de todo tipo e como alteração dos valores tradicionais, dificultando ainda mais a tarefa de educar. Além disso, as várias formas de família alteram as referências constantes que a antiga família proporcionava e ninguém sabe como vão ser os filhos assim educados.
          É fato conhecido que mais da metade das crianças que hoje chegam à escola apresenta algum distúrbio de comportamento. Nós todos, pais, educadores, num movimento quase espontâneo, pensamos logo em encaminhá-los para um especialista.
          Nossa maneira de ver é diferente. Há anos trabalhamos com a análise de pais e não dos filhos. Os distúrbios apresentados pelos filhos, nós os consideramos sintomas dos problemas dos pais. Os sintomas dos filhos são causados, inconscientemente, por uma maneira de educar que entala o desenvolvimento psíquico deles. Os pais são os verdadeiros educadores dos filhos. Normalmente, são movidos pelas melhores intenções. Mas não existe possibilidade de ser pais e não transmitir problemas para os filhos.
          Pelo próprio princípio da análise, nosso cuidado é não oferecer solução para os transtornos e, sim, ter certeza que os pais, elucidados pela análise, podem encontrar uma saída, uma resolução. Pelo mesmo princípio, importa-nos preservar a originalidade do casal, pois só a subjetividade dele pode gerar mudanças inconscientes, inventar atitudes e atos que consigam reordenar a criança. Há anos essa prática de análise tem comprovado sua eficácia.
          Os mais diversos distúrbios sejam eles psíquicos ou de comportamento, como neuroses, e até psicoses, insônia, problemas de alimentação ou de higiene, problemas de relacionamento, os de concentração ou de hipermotividade, identidade sexual, mau uso da internet... enfim, tudo o que provoque sofrimento na família, quando os pais são verdadeiramente escutados, pode encontrar solução adequada.
         Pensamos que precisamos tanto ter consciência clara dos problemas de nossa época, como necessitamos acreditar que, se vivemos nesse momento da História humana, somos convocados a dar conta de nossa missão de levar à frente a civilização e a cultura que garantem o humano. Não temos mais certezas, temos que ir à busca delas, temos que inventar caminhos. É nossa convicção que somente um pacto entre pais e escola, entre pais e sociedade, pode hoje encontrar soluções para os problemas de nossos filhos.

Durval Checchinato

terça-feira, 13 de julho de 2010

"PSICOSSíNTESE" Auto-ajuda no crescimento pessoal

         
          O que quer a Psicossíntese? Avaliando essa pergunta, podemos dizer que a mesma, busca o ajustamento psíquico e o crescimento pessoal, que nada mais é que uma inclinação natural da raça humana. Na busca de sua harmonização o homem que está dividido em níveis e aspectos de sua organização irá com o auxilio deste método sintetizar essas escalas. É observável que o ser em doses normais e até patológicas, intrapsíquicamente trava conflitos de toda natureza, no intuito de satisfazer-se atendendo seus anseios, buscando a esmo evoluir para níveis mais altos, desperdiçando assim uma valiosa somo de energia que se em sua descarga não achar o caminho adequado, resultará num agravamento das neuroses e suas patologias.
          Estruturalmente a psicossíntese desmembra as instâncias do psiquismo para eliminar aquelas que são dispensáveis para o caminho harmônico ou pelo menos neutralizar inicialmente suas investidas, já que tais se alimentam do fracasso e baixa auto-estima do Ego. É conhecido da Psicanálise o SUPEREGO (SO) – este se desenvolve a partir do Ego, quando primariamente, na busca para se libertar do primeiro objeto (mãe), que para o ser nessa fase, é sua única forma de satisfação (gozo), uma vez rompendo, retornará ao mesmo sujeitando-se a essa mudança. Assim, se observará o superego formado, pois para o bebê a mãe (1º objeto) já não é mais ele, pois no seu entendimento mãe e bebê são a mesma coisa, isso faz com que, ele possa se perceber fora dela e sendo outro. Para a criança, isso é assustador e a partir de então ele fusiona-se com o objeto (mãe).
          Dessa maneira, bem como as outras instâncias o (SO) também tem níveis e ao alcançar a fase adulta o (SO) exerce sua função com mais força, tendo a capacidade de avaliar, observar e julgar a partir dos seus próprios critérios. O método não tem por objetivo a sua reprogramação e sim neutralizar suas investidas contra o Ego.
          Outra instância chamada de (id) parte importante da estrutura psíquica formada pelos representantes mentais e seus impulsos instintuais que também é uma fonte de energia para todo aparelhamento mental. Alem disso, em nossa linguagem agregamos o (NA+O) que são os Núcleos de Apoio + Objeto, que se referem a tudo aquilo que devotamos apego e que, se por ventura do indivíduo for tirado inevitavelmente elaborará muito sofrimento (luto). Uma vez eliminados os (OEx) Objetos Externos deixarão o caminho do Ego aberto para ser livre e gozar de uma consciência capaz de se ajustar e alinhar-se com o (NAE) que é o Núcleo de Apoio do Ego, Núcleo de Auto-Estima e que terá função autônoma e coerente mantendo este último sempre com sua auto-estima elevada.
          O Ego tem como tarefa principal de sua existência a auto-preservação. Entretanto, para que haja um melhor entendimento por parte do leitor, iremos facilitar o conceito sobre o Ego de forma simplificada, pois este é o objetivo da psicossíntese, visto que, é o no Ego que tudo acontece, exemplo: se após uma péssima noite de sono você acorda mal humorado mesmo sem ter tido contato algum com outra pessoa, será possível avaliar que estímulos internos são os responsáveis pela agressão sofrida pelo Ego. Os estímulos esternos são aqueles percebidos do mundo existente fora do Ego podendo ele ajustar-se a estas ou aquelas situações para não ser agredido.
          Contando com o amparo incondicional do (NAE), o Ego se sentirá capaz de diluir as tensões sofridas por ele na busca do prazer e do inevitável encontro com o desprazer. E dessa forma, não prevalecerão mais sobre esse Ego as perversões, os conflitos, a solidão, a desilusão, as perdas e as muitas outras formas de agressão.
          A psicossíntese embora tenha um aspecto complicado é um método de abordagem simples: [E+(SO)+(NA+O)+id] = [E+(SO)+id]. Estas são algumas das fórmulas em que a psicossíntese apresenta os estados mentais do sujeito, sendo [E+NAE] – soma do Ego (Eu) com Núcleo de Auto-Estima – o objetivo final da mesma.
          Nossa metodologia vem sendo muito utilizada no Brasil não só na clínica, pois suas aplicabilidades transcendem vários campos: o cientifico, o não cientifico, o pedagógico, o religioso, o filosófico, o acadêmico, bem como em todas as áreas que têm a seus cuidados a saúde mental. Contudo, ainda é possível fazer um questionamento: Quem pode utilizar-se dos benefícios da psicossíntese na clínica?
          Analisando-se a atual conjuntura da Psicanálise no Brasil, podemos dizer que esse método pode ser utilizado em pacientes que se apresentam com baixíssima auto-estima, por exemplo: o homem de negócios, atormentado e nervoso, a dona de casa preocupada e agitada, a criança exasperada por contínuos acessos de raiva, o homem e a mulher que não conseguem deixar de beber, em suma, pessoas em estados deprimentes, entre outros.
          A abordagem inicial como terapia de apoio no tratamento, elege com meta a promoção do processo de crescimento contínuo, integrando o corpo aos sentimentos, fazendo com que a mente leve o indivíduo harmoniosamente à plenitude de sua vida, acessando com isso em maiores níveis, suas capacidades e talentos e assim sua potencialização. Sendo assim, o processo terapêutico da psicossíntese é na verdade uma forma diferente do indivíduo ser conduzido a ver o outro lado do muro, o muro que o coloca do lado de dentro e o faz medroso, lhe dando a falsa impressão de protegido. E do lado de fora um verdadeiro e autêntico modo de viver, hostil, agressivo e competitivo, contudo verdadeiro e autêntico como todo ser humano por natureza o é, e por formação não se permite assumir.
Oliveira, Jorge Luiz Souza

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Édipo Rei – o prenúncio de uma metáfora


          Helenistas e estudiosos do grego clássico fazem muitos comentários e interpretações sobre as tragédias de Sófocles, além destes há muitos trabalhos psicanalíticos que abordam diretamente o mito de Édipo. Todavia, a despeito de que são muito conhecidas as tragédias de Sófocles em torno de Édipo, neste artigo, comentarei o episódio do drama familiar que se estende por três gerações: Édipo Rei, Édipo em Colona e Antígona. Logo, abordarei apenas a historia de Édipo Rei.
          A historia começa quando Laio e Jocasta – Rei e Rainha de Tebas – é advertido por um oráculo que o bebê Édipo, filho deles, está predestinado a matar o próprio pai. Édipo é aleijado, transpassam-lhe os pés com uma lança e é estupidamente abandonado, mandado para longe, a fim de ser morto, dando início assim ao começo do trauma psíquico e físico de uma criança por aqueles que ao contrário deveriam protegê-la.
          Poupado da morte prematura, Édipo foi então adotado Por Pôlibo e Mérope, Rei e Rainha de Corinto, sendo criado como filho legítimo, ele cresce tendo esses como os seus verdadeiros pais. Um determinado dia alguém lhe contou não serem eles os seus pais legítimos. Édipo fica consternado e resolve pedir conselhos ao oráculo de Delfos, este lhe diz que ele matará seu próprio pai e se casará com sua mãe. Impressionado, Édipo para poupá-los, driblando a profecia, foge para longe deles abandonando assim Corinto, dirigindo-se para Tebas.
          Até que um dia numa encruzilhada encontrou um velho acompanhado de cinco servos. Édipo entrou numa luta com ele e num gesto de ira e arrogância, matou o velho Laio, seu pai, e quatro de seus servos.
          Finalmente, Édipo chega a Tebas depois de ter vagado por toda a Grécia. Porém neste período a cidade está sendo devastada pela esfinge, que se abriga num penhasco vizinho e propunha enigmas a todos os que passassem por ali, matando qualquer um que não lhe desse a resposta exata. Édipo se dispõe a aceitar o desafio da esfinge e responde corretamente seu enigma. A esfinge atira-se num despenhadeiro e como recompensa por ter libertado Tebas da esfinge, Édipo é premiado com a mão da Rainha Jocasta, que estava viúva. Ele é feito Rei e casa-se com ela.
          Após alguns anos, a cidade é assolada pela praga, como castigo pelo assassinato não vingado de Laio. Édipo vê-se pressionado pelos cidadãos de Tebas, que pedem providência. Ele consulta o oráculo de Delfos e este lhe diz que a praga cessará quando for descoberto e punido o homem que matou Laio. Efetivamente, Édipo se dispõe a procurar o assassino de Laio, conduzindo com esse fim, uma investigação obsessiva de seu próprio e desconhecido passado. Finalmente, Édipo descobre que o homem que matou na encruzilhada era Laio. Por fim, ele acaba por cumprir inadvertidamente a profecia do oráculo de Delfos, tinha assassinado o verdadeiro pai e casado com a própria mãe, com a qual tivera quatro filhos: Eteócles, Polinices, Antígona e Ismene, que eram também seus irmãos. Em decorrência desta cilada de incesto, parricídio e tentativa de assassinato de uma criança, Jocasta se enforca e Édipo, tomado pela culpa, fura os próprios olhos.
          A representação tradicional destas tragédias é o conflito do homem em oposição ao destino desvairado que o apremia com situações horríveis, as quais ele afronta, podendo destruir-se neste embate ou dele sair com novo vigor. Através do sofrimento, Édipo adquire uma dimensão heróica, um homem inocente em luta com um destino implacável e impiedoso.
          Como sabemos, Freud usou o Édipo para expor em detalhes uma estrutura fundamental na formação do psiquismo humano, na organização do sujeito, dando uma nova abrangência a esta tragédia. Criando então o termo Complexo de Édipo, um termo valioso por sua riqueza referencial, pois no ponto de vista freudiano, o Complexo de Édipo é com certeza a definição de que o amor incestuoso pela mãe e o impulso de assassinar o pai é parte da estrutura mental do homem.
          Freud empregou o termo Complexo de Édipo para expor em detalhes a quantidade de lembranças, estímulos e emoções totalmente inconscientes, que giram em torno das revelações que são formadas entre criança e pais.
          Segundo Freud, o mais alto grau do Complexo de Édipo é vivido entre os três e os cincos anos, no decurso da fase fálica. O seu enfraquecimento marca a entrada no período de latência e é revigorado na puberdade sendo superado com maior ou menor êxito num tipo especial de escolha do objeto. O Complexo de Édipo cumpri o papel necessário na estruturação da personalidade e na orientação do sujeito humano, enfim, ele é o eixo fundamental de referência da psicopatologia.
Oliveira, Jorge Luiz Souza 

quarta-feira, 16 de junho de 2010

A mente e o corpo

         
          A Psique está ligada ao soma, isto é ao corpo. A mente e o corpo formam uma unidade, constituindo partes integrantes do ser humano, podendo a psique ser a origem principal de certas disfunções, assim como estas podem motivar perturbações psíquicas, portanto não existe isoladamente corpo ou mente, pois esta é uma função do cérebro que é por sua vez uma parte do soma.
          Hipócrates já postulava, há 5000 anos a.C, que para que as curas obtivessem sucesso, necessário seria que os médicos tivessem “um conhecimento da totalidade das coisas”. Sócrates retornou da sua temporada no Exército advertindo aos seus compatriotas gregos que, em certo sentido, os bárbaros estavam na dianteira: ele sabia que o corpo não podia ser curado sem levar em conta a mente.
          Martinho Lutero, no início do séc. XVI, declarava: “Pensamentos soturnos (sombrios) acarretam males físicos; quando a alma está oprimida, o mesmo acontece com o corpo”. Ele tinha uma preocupação doentia com sua saúde. Por toda a sua idade adulta sofreu de constipação.
          Já dizia Platão: “a cura de inúmeras doenças é desconhecida dos médicos pois eles ignoram o conjunto, e isto porque uma parte jamais poderá estar bem, a menos que o todo esteja bem.”
          A fim de aliviar a tensão que lhe é imposta pelos conflitos reprimidos, o inconsciente pode expressar-se por meio da linguagem fisiológica. (funções orgânicas); Trata-se de não só um simbolismo como também de um esforço no sentido de solucionar um problema ou satisfazer uma necessidade. Infelizmente, não sendo este um processo racional, o problema da pessoa permanece insolúvel e a sua necessidade não é satisfeita – as alterações físicas a tornam doente (Howard R-Martha E. Lewis). A simbologia correlacionada aos sintomas é sujeita a uma grande variação. Uma de suas formas é o que se chama de “parte para um todo” em que cada órgão individual é capaz de simbolizar todo o conflito. O estômago, por exemplo, pode ser um sítio dos problemas num paciente com desejos de independência frustrados, devido a sua associação aos processos de alimentação e carinhos maternos. Ao mesmo tempo, o sintoma pode constituir expressão concreta de uma idéia inaceitável.
          Um homem poderá vomitar porque sua mulher lhe causa asco; Uma jovem pode imaginar inconscientemente que os bebês se desenvolvem no estômago, o que levará a sofrer de dores aí durante a gravidez.
          O simbolismo é portanto, considerado o principal responsável pela escolha de sintomas. Em nosso inconsciente são alteradas todas as regras da lógica, intelecto e razão da mente consciente. Uma pessoa, coisa ou situação podem ter sido representadas por um símbolo, por alguém ou algo similar, ou mesmo por algo que lhe seja imposto. Esta é a linguagem do inconsciente.
          Uma pessoa assustada, o seu coração bate mais depressa, os vasos sanguíneos de sua pele se contraem, os músculos se contraem e assim por diante. E, no entanto, uma doença psicossomática caracteriza-se , sobretudo, pela exacerbação de uma ou duas de tais reações, havendo um relativo desprezo das demais. Acredita-se que ocorra uma exacerbação de uma ou mais partes de uma reação total, com a relativa exclusão das demais, devido a razões simbólicas e também fruto do acaso. Na verdade concluímos que a Psicanálise deve agir de forma Investigativa, só assim poderemos chegar a conclusões precisas sobre se é ou não uma doença psicossomática..
           Observação importante: Hipocondria – só existem sintomas; Psicossomática - existem os males orgânicos (no soma), influenciados diretamente pela mente.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Gravidez Psicológica

Gravidez psicológica é o que chamamos de barriga de mentira.

O que é? e por que isso acontece?
          Em linhas gerais, a gravidez psicológica é uma fantasia delirante. A mulher acredita que está grávida e a ‘prova de realidade' (a confirmação médica de que não existe bebê algum) não tem nenhum valor para ela. Enfatizo que esta gravidez não é uma mentira para a mulher, ou seja, ela pensa de verdade que está esperando um bebê e o seu corpo confirma.
          São muitos os motivos - Dificilmente a gravidez psicológica acontece por uma única razão. Cada pessoa reage aos problemas de uma maneira particular e qualquer transtorno psicológico tem diversas causas.

Exemplos:
• Baixa auto-estima,
• Sentimentos de rivalidade intensa,
• Insegurança,
• Ciúme em excesso,
• Baixa capacidade de lidar com as frustrações, além de um forte desejo de ter um filho são algumas delas.
• Pressão pelo marido e pela família a ter um filho – Isto pode acabar gerando um bebê de mentira.
• Também há situações em que a mulher quer garantir a estabilidade do relacionamento e pensa que um filho é a solução, como no caso da Simone.

Qual é a resposta do corpo?
          Por mais incrível que pareça, a mulher que vive uma gravidez imaginária pode sentir na pele o mesmo que sentem as futuras mães de verdade – Nossa mente é muito forte! A gravidez psicológica tem origem mental, mas o corpo responde.

Quais os sinais?
          Muitas sentem enjôo, têm desejos, apresentam crescimento do abdômen e dos seios, e, em alguns casos raros, é possível até produzirem leite – Isto é comprovado pelos ginecologistas e obstetras. O aumento da barriga, neste caso, fica por conta da comilança - Como elas acham que estão grávidas, pensam que deve comer por dois. O que acontece é o acúmulo de gordura no abdômen e nos seios. Além disso, muitas confundem os gases e movimentos naturais do intestino com o bebê se mexendo no útero.

Quem são as mulheres mais propensas a desenvolver uma gravidez psicológica?
          Apesar de o problema também surgir em mulheres jovens, é mais comum que isso aconteça com pessoas mais velhas, próximas à menopausa, inférteis e com distúrbios hormonais que interferem na menstruação.

Até quando vai a farsa?
           É possível a mulher acreditar na mentira de que vai ser mãe até chegar a hora do parto.

Como se sentem as mulheres que, de repente, descobrem que o bebê que tanto esperavam não existe?
          São variáveis as reações. Algumas mulheres até sentem alívio quando descobrem que não estão grávidas, mas em geral a reação é de susto e de decepção.

Qual o tratamento?
          • Carinho e terapia
          • É a psicoterapia o tratamento possível para curar a “falsa gravidez”.
          • Em geral, essas mulheres não procuram ajuda psicológica, pois se procurarem o terapeuta estarão admitindo que não tem o bebê. Por isso, é essencial o apoio da família, antes e após a aceitação do fato. E, tão importante quanto aceitar a realidade de que não está grávida, é ter certeza de que ela não precisa de um filho para se sentir amada.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mitomania "compulsão pela mentira"

         
          A mitomania é a tendência patológica mais ou menos voluntária e consciente para a mentira. Normalmente, as mentiras dos mitomaníacos estão relacionadas a assuntos específicos, porém podem ser ampliadas e atingir outros assuntos em casos considerados mais graves . Uma menina cujo pai é violento, por exemplo, pode começar a inventar para as colegas como sua relação com o pai é boa e divertida, contando sobre passeios e conversas que nunca existiram. Justamente pelos mitômanos não possuírem consciência plena de suas palavras, os mesmos acabam por iludir os outros em histórias de fins únicos e práticos, com o intuito de suprirem aquilo de que falta em suas vidas. É considerada uma doença grave, necessitando o portador dela de grande atenção por parte dos amigos e familiares.

Sobre a doença
          Dizer a verdade é um sofrimento para quem tem mitomania, doença definida como uma forma de desequilíbrio psíquico caracterizado essencialmente por declarações mentirosas, vistas pelos que sofrem do mal como realidade.
          Desse ponto de vista, podemos dizer que o discurso do mitômano é muito diferente daquele do mentiroso ou do fraudador, que tem finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo esta apenas um meio para outros fins. Contam histórias ao mesmo tempo que acreditam nelas. É também uma forma de consolo.
          Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente. Muitas vezes as mesmas se apresentam unidas à angústia profunda, TOC, depressão e pós depressão.
          De um lado, o mitômano sempre sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro. Mas ele também sabe que isso deve ser verdadeiro para que lhe garanta um equilíbrio interior suficiente. Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objectiva exterior. Ele tem necessidade de contar essa história para se sentir tranquilizado e de acordo consigo mesmo.
          A mitomania não pode ser considerada como uma mentira compulsiva, e sim como uma doença que se não tratada pode causar transtornos sérios à pessoa que possui. Em geral, essa manifestação deve-se à profunda necessidade de apreço ou atenção.
         A maioria dos casos de mitomanía, ao serem expostos, tornam-se vergonhosos. Todavia, os mitômanos que buscam ajuda por vontade própria, pedindo a seus familiares e principalmente aos seus amigos, são considerados extremamente raros, pois eles veem que estão sofrendo de um mal e desejam acima de tudo curar-se. O papel dos companheiros se torna extremamente importante na vida do indivíduo que sofre da doença, já que eles que irão indicar os pontos e erros.
          Grande parte dos casos de mitomania levam ao suicídio, principalmente se associados a depressão e pós depressão. O indivíduo ao não obter o apoio necessário e ser excluído daquele grupo que frequentava ou participava acaba por vivenciar uma situação sem saída, isto é, o mesmo acaba por ser excluído de seus gostos e vê-se sem aquilo que ama e deseja. Casos comuns demonstram que mitomaníacos envergonhados de si, pelo porte de sua doença, infligem-se o óbito quando abandonados por amante, que não compreendem a sua doença e o abandonam, não acreditando na possibilidade de uma cura ou não restabelecendo os laços afectivos de antes.
         Aconselha-se aqueles que rodeiam o mitômano, principalmente se o mesmo obteve uma conversa clara expondo a sua vontade de melhora, a não largarem-no, podendo tal atitude acarretar desejos inconstantes, profunda melancolia, depressão e desejo de suicídio da parte do mitomaníaco. Inicialmente o mesmo apresentará sintomas de solidão e grande desejo de estar acompanhado daqueles que ama. Contudo, ao ver que isso não é possível, acaba optando pelo desejo de morte.
Motivação
          Não se sabe ao certo os motivos pelos quais a mitomania se manifesta. Primeiro, porque acarreta milhares de fatores sócio-psicológicos da pessoa afetada e, segundo, porque enfatiza uma situação social, podendo, então, mostrar-se eventual dependendo das circuntâncias presentes na época em que o indivíduo está vivendo. Na maioria das vezes é por desejo de aceitação daqueles que o rodeiam.
Cura
          A cura do indivíduo reside muitas vezes na implementação de um quadro de cuidados que associa o tratamento em meio psiquiátrico do problema subjacente a um acompanhamento psicoterapêutico. Tal acompanhamento torna-se a parte mais importante, sendo realizado pelas pessoas que rodeiam o mitômano e que o mesmo requisitou para ajudá-lo. É importante nunca negar ao mesmo tal acompanhamento, sendo este a chave para a cura, até mais importante que um tratamento psiquiátrico.

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