Sociedade de Estudo Psicanalítico Contemporâneo

... Confiabilidade, comprometimento, contentamento do cliente, transparência, ajustamento, ética e valorização do profissional, estas são as propostas da SEPC. Atuando como Referencia de nobreza da Psicanálise.

"A aceitação de processos psíquicos inconscientes, o reconhecimento da doutrina da resistência e do recalcamento e a consideração da sexualidade e do complexo de Édipo são os conteúdos principais da Psicanálise e os fundamentos de sua teoria, e quem não estiver em condições de subscrever todos eles não deve figurar entre os Psicanalistas".

Sigmund Freud



domingo, 15 de maio de 2011

A DESCOBERTA DA PSICANÁLISE

          Freud era ainda um médico muito jovem quando descobriu o método de cura pela Psicanálise. Empregava ele o hipnotismo, no tratamento das afecções nervosas, quando começou a notar que as ideias, ou melhor, os fatos esquecidos pelo paciente, eram perfeitamente relembrados logo que os enfermos sofriam a ação da força hipnótica.
         Uma vez despertados da hipnose, "esqueciam-se", porém, os doentes, de tais ocorrências, não tendo assim nenhuma ideia consciente do que se havia passado. Pois bem. Durante esses tratamentos, principiou a observar que os seus clientes apresentavam uma certa "resistência" em confessar as reminiscências "esquecidas", tornando-se, às vezes, uma barreira quase intransponível.
          Segundo o grau, a extensão de "resistência", pôde então concluir que as lembranças desmemoriadas, na vida consciente, se achavam profundamente cavadas no espírito dos enfermos.
           Para que elas se apresentassem, seria preciso, portanto, vencer, certamente, "alguma coisa" de forte que se opunha tenazmente à exteriorização das ideias "soterradas".
         Por outro lado, essas deslembranças estavam sempre ligadas a acontecimentos desagradáveis, penosos, considerados pelo indivíduo como questões dolorosas ou vergonhosas às aspirações da personalidade.
 l — O que o hipnotismo encobria
          O hipnotismo encobria, assim, um jogo de forças que precisava evidenciar-se. Freud começou a pensar que todo segredo desse jogo de forças consistia em dominar a "resistência" dos enfermos.
          Mas se essa "resistência" era vencida pelo hipnotismo apenas, isto não lhe bastava, porque, após o sono hipnótico, ela de novo se apresentava, impedindo que as ideias viessem à tona da consciência.
          Não seria a falta de libertação dessas lembranças, em estado de vigília, a causa dos distúrbios nervosos de seus pacientes?
 
          A pergunta se achava sem resposta, quando um seu colega e amigo, Prof. Breuer, com quem Freud privava todos os dias, observou na sua clínica, também de hipnotismo, o seguinte caso: 
         Submetida ao sono hipnótico uma senhora histérica revelara-lhe certa e determinada lembrança, esquecida por completo na vida desperta e de real interesse clínico. Tratava-se uma moça histérica, de 21 anos de idade, inteligente e culta. Tendo adoecido (a enfermidade durou dois anos), apresenta inúmeras perturbações físicas e além de muitos outros fenômenos psíquicos, tinha a mais uma paralisia de ambas as extremidades do lado direito, com anestesia (insensibilidade), cujo sintoma se estendia, por vezes, até o lado oposto. Várias outras perturbações também eram observadas: anormalidade dos movimentos oculares, dificuldade em manter a cabeça erguida, tosse nervosa, repugnância alimentar, impossibilidade beber água, apesar da sede martirizante, etc. Tais distúrbios chegaram a ponto de inibi-la de compreender a língua materna e tantas outras coisas que alteravam inteiramente a própria personalidade. Notava-se que no estado de confusão mental, a doente murmurava palavras que pareciam relacionar-se com males que a afligiam.
2 — A paciente histérica
          Sujeita ao hipnotismo, a paciente reproduzia fantasias ou devaneios profundamente tristes, muitas vezes até de real beleza poética. Estas iniciavam-se, quase sempre, descrevendo a situação de uma jovem à cabeceira do pai enfermo. Depois de desafogada a fantasia, sentia-se como que aliviada. Tal estado durava, porém, algumas horas para, ao dia seguinte voltar de novo. Durante a hipnose os sintomas desapareciam.
          Pois bem. Ninguém até então removera por tal meio os sintomas histéricos de ordem corporal. Pesquisados os síndromes dessa mesma enfermidade em outros pacientes, pôde Freud realmente chegar à conclusão de que todos eles se formam à custa de reminiscências afetivas, que valem como verdadeiros "traumas psíquicos", cujos sintomas se relacionam com as cenas traumáticas que os produzem.
          Assim, todos os distúrbios da doente não passavam de impressões penosas, fixadas durante o tempo em que ela se dedicava ao pai enfermo.
reminiscências afetivas, que valem como verdadeiros "traumas psíquicos", cujos sintomas se relacionam com as cenas traumáticas que os produzem.
3 — As ideias soterradas
          Certa noite, velava o pai, em estado de superexcitação nervosa, pois se esperava de Viena um cirurgião que haveria de operá-lo. Ausente sua mãe, sentada à cabeceira do doente, passou a filha o braço sobre o espaldar da cadeira e, num semi-sonho, viu, como que se viesse da parede, uma cobra que rastejava, em direção ao leito do pai, para mordê-lo. (Provavelmente — diz Freud — no quintal da casa existiam 3 cobras, assustando anteriormente a moça e fornecendo agora o material da alucinação.).  
          Nessa alucinação pretendeu ela afastar o animal, mas estava como que paralisada, o braço direito (estendido no espaldar da cadeira) ficara adormecido. Quando o contemplou, seus dedos transformaram-se em cobrinhas, cujas cabeças eram caveiras (as unhas). A anestesia do braço associou-se assim à alucinação da serpente. Quis em seguida rezar, mas não achou palavras em idioma algum.
          Com a reconstituição desta cena durante a hipnose, foi removida a paralisia do braço que existia desde o começo da moléstia e a paciente curou-se.
          Todos os sintomas, como as perturbações visuais, a sede, etc., etc., achavam-se ligados aos cuidados da moça ao leito do pai e são minuciosamente esclarecidos por Freud.
3 cobras, assustando anteriormente a moça e fornecendo agora o material da alucinação.). Para nós, entretanto, é suficiente o presente resumo, o qual nos dá, perfeitamente, uma ideia do caso histórico que levou Freud a descobrir a Psicanálise.
         Quando, depois, começou ele a empregar o mesmo critério nos seus enfermos, pôde confirmar a veracidade do fenômeno ocorrido neste caso clínico. Se antes o hipnotismo era empregado para os fins comuns a que ele se destina, já agora lhe servia como um método
          Ora, até então, a todos os cientistas, inclusive Charcot repugnava a concepção psicológica da histeria, justamente porque, não raro, ela também se manifesta com sintomas igualmente orgânicos (paralisias, etc.). Diante, porém, desse caso já não havia mais dúvida de que tais sintomas emocionais procuravam outras vias de exteriorização, refletindo-se na trama nervosa.
          Tudo não passava de uma conversão (os males psíquicos são convertidos no físico), como assim chamou o mestre, discordando, portanto, das opiniões correntes.
         O fato provocou as mais sérias controvérsias entre professores e discípulos, pois demonstrava cabalmente que a histeria podia manifestar-se em homens, derrubando uma velha teoria de que a neurose era fundamentalmente feminina, de onde até lhe veio o nome clássico
"catártico". Isto é, o doente "vomitava" os seus desejos inconfessáveis, através da hipnose, assegurando, assim, o diagnóstico de suas perturbações e, ao mesmo tempo, libertando-se de seus males, quer físicos, quer psíquicos, uma vez dissolvidos os sentimentos profundos inconfessáveis. hysteron, útero.
4 — A revelação
          Freud já podia ter a certeza de que os sintomas nervosos, apresentados na sua clínica, eram movidos por essas lembranças dolorosas, adormecidas no fundo do espírito e das quais não tinha a consciência, até então, nenhuma ideia. Valiam elas
          Assim, os pacientes de Freud tinham também que "saber" o que lhe era acessível na hipnose, trazendo ao âmago da consciência todo o "esquecido" mórbido de suas vidas.
         "O processo empregado, diz Freud, havia de ser mais trabalhoso, porém mais elucidativo. Abandonei o hipnotismo e só conservei dele a maneira de colocar o meu cliente em decúbito supino, sobre um divã, ficando eu por trás dele, de forma a não ser visto."
          E com esse novo processo, a que deu o nome de
         Através dessa vida interior, a ciência de Freud sai do campo restrito da Medicina para ganhar o domínio do inconsciente.
Psicanálise é, portanto, a Ciência do Inconsciente.
4 como verdadeiros traumas na alma humana, desconhecidos por completo dos enfermos, porque eles o haviam esquecido. Entretanto, desde que esses traumas viessem a ser desmascarados à luz da consciência, analisados friamente por esta, todos os sintomas cessavam. PSICANÁLISE, Freud pôde concluir, então, depois de infinitas experiências, que o homem não vive apenas a vida do seu psiquismo consciente e que uma outra vida palpita nas esconsas camadas do espírito humano. E é precisamente essa vida interior, profunda, indevassável, até hoje, que a Psicanálise estudou, estuda e continua observando.
         Psicanálise seria tal e qual o nome indica, a análise do psiquismo. Por isso é comum falar-se de psicanálise em outras esferas de pesquisas mentais.
        Desde que Freud, porém, lhe deu uma acepção mais profunda e perfeitamente definida, ninguém mais deve aplicar o nome de psicanálise a outras investigações que não estejam de acordo com os problemas do inconsciente.
         A Psicanálise, como vimos, nasceu de uma experiência clínica e, inicialmente, só foi aplicada como processo terapêutico no tratamento das neuroses.
         Revolvendo, porém, a vida inconsciente dos pacientes, esta região do espírito abriu-se, na ciência, como um novo panorama, desconhecido até então, esclarecendo infinitas concepções errôneas, tidas e havidas como certas, na órbita do conhecimento.



Autor: Dr. Gastão Pereira da Silva
(in memoriam)

sábado, 23 de abril de 2011

Comissão de Pesquisa em Ética Psicanalítica - COPEP

           O CBP ( I.N.N.G.), considerando a necessidade de estimular a pesquisa na área de ética psicanalítica, criou a Comissão de Pesquisa em Ética Psicanalítica - COPEP. Esta comissão tem por objetivo estimular a pesquisa na área de ética psicanalítica no âmbito do Conselho e abrir possibilidades para interagir com escolas de psicanálise e/ou centros de pesquisa, visando o cumprimento do princípio de que cabe ao Conselho: "Promover por todos os meios ao seu alcance, o perfeito desempenho técnico e moral da psicanálise e o prestígio e bom conceito da psicanálise, da profissão e dos que a exerçam". 

          Bolsa de Pesquisa para Estudantes de Psicanálise na área de Ética Psicanalítica 

REGIONAIS

          As Regionais são responsáveis pela presença ativa do CBP ( I.N.N.G.) nos Estados, e objetivam defender o exercício ético da Psicanálise, ao mesmo tempo em que verificam as condições de trabalho dos profissionais por meio de fiscalizações oficiosas descentralizadas.

          A criação das Regionais adveio da necessidade do CBP ( I.N.N.G.) descentralizar o atendimento prestado aos psicanalistas e estabelecimentos de saúde mental, propiciando a dinamização de suas atividades administrativas, judicantes oficiosas, de fiscalização oficiosa e de promoção ética.

E-mail:  cobrpsi@gmail.com

Câmaras Técnicas

SAÚDE MENTAL

Contas Públicas

COMPARATIVO DE DESPESA

Licitações

Cadastro

Concorrência

          É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprove possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto.

Concurso

          É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.

Leilão

          É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação.

Pregão

          Pregão é a modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns, promovida exclusivamente no âmbito da União, qualquer que seja o valor estimado da contratação, em que a disputa pelo fornecimento é feita por meio de propostas e lances em sessão pública.

Tomada de Preços

          Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.

Tabela de Valores

Agenda Cbpreba

HISTÓRIA

         História do Conselho Brasileiro de Psicanálise O CBP (I.N.N.G.), se faz representado no Estado da Bahia pela regional (CBPREBA); instituição sem fins lucrativos, de caráter filantrópico e de Utilidade Pública, atuante desde 10 de janeiro de 1978, busca a excelência do exercício da Psicanálise e o acesso à saúde mental de qualidade por todos os cidadãos.

          Desenvolve oficiosamente, serviço de interesse público por delegação do CBP ( I.N.N.G.), fundamentado em mais de trinta anos de história a serviço dos psicanalistas e da saúde mental.

Nossas atividades estão concentradas em ações do tipo:

1) Fiscalizadora oficiosa - responsável pela fiscalização oficiosa das instituições de Assistência Psicanalítica para o justo exercício de suas atividades;

2) Judicante oficiosa - responsável oficiosa pelo recebimento, apuração oficiosa de denúncias relacionadas à má conduta profissional, rigorosamente de acordo com o Código de Ética Psicanalítica, Resoluções e Normas publicadas pela instituição e pelo Conselho Brasileiro de Psicanálise CBP ( I.N.N.G.);

3) Cartorial - (Apostille de Haia)  APOSTILLE (Convention de la Haye du 5 octobre 1961) oficiosamente responsável pela divulgação de informes sobre registro de diplomas, títulos de especialidades, em ambito internacional, inscrições, transferências do CBP ( I.N.N.G.) e pelo cadastro de Pessoas Físicas e Jurídicas.

           O CBPREBA também participa de movimentos sociais que exigem melhor qualidade de atendimento e plena realização profissional na área da saúde mental (Cruz Vermelha).

          A implantação do SUS (Sistema Único de Saúde) e a luta constante do Conselho Brasileiro de Psicanálise ( I.N.N.G ), e suas regionais, para a inclusão da Psicanálise e dos Psicanalistas na instituição governamental, associam-se a outras atividades dirigidas à saúde mental, realizadas em parceria com representantes da sociedade civil.

sábado, 2 de abril de 2011

Psicoterapia e Psicanálise


Psicoterapia Individual. Destina-se a crianças, jovens, adultos e idosos com dificuldades nos relacionamentos amorosos e familiares, profissionais e sociais de modo geral, ou que desejam se desenvolver intelectual e emocionalmente, conhecendo-se melhor e resolvendo seus conflitos. Nas psicoterapias, as sessões se realizam com um ritmo de uma por semana.

Psicanálise. A Psicanálise, se destina a adolescentes, adultos ou idosos, sendo mais aprofundada e especialmente recomendada no tratamento  de obsessões, fobias, depressões, estados melancólicos, doenças psicossomáticas, alcoolismo e dependência química. Os tratamentos psicanalíticos requerem um ritmo de, pelo menos, duas sessões semanais.

 Psicoterapia de Grupo e Família

Psicoterapia Psicanalítica do Casal. Destina-se ao tratamento das crises conjugais ou distúrbios na integração afetivo-sexual do casal. Realiza-se com um ritmo de uma sessão semanal.

Psicoterapia Psicanalítica Grupal. Esta modalidade se realiza em grupos de participantes de ambos sexos, podendo existir grupos com composição homogênea formados por adolescentes, adultos ou idosos; ou ainda grupos 'específicos' com pacientes psicossomáticos, grupos de gestantes etc.

Psicoterapia Psicanalítica do Grupo Familiar. Visa o tratamento de crises familiares, motivadas por separações dos pais ou conflitos entre pais e filhos. Também se destina às famílias em que um dos integrantes apresenta um surto psicótico ou está em tratamento psicoterapêutico. Nestes casos, a psicoterapia do grupo familiar é imprescindível por ser a família o abrigo e o estímulo para a melhoria do paciente em tratamento.

Psicanálise


            A psicanálise nasce na Áustria e tem como grande criador Sigmund Freud (1856 - 1939), que era médico em Viena e fundamenta a psicanálise na prática médica, recuperando para a psicologia a importância da afetividade. O objeto de estudo da psicanálise é o inconsciente, o que quebra com a tradição da psicologia como ciência da consciência e da razão. Esta linha teórica ousou colocar “processos misteriosos” do psiquismo, as “regiões obscuras”, como é o caso das fantasias, dos sonhos, esquecimentos e outros problemas internos do homem, como problemas científicos. Foi a investigação destes processos psíquicos que levou Freud à criação da psicanálise. A teoria baseia-se em conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento da vida psíquica, caracterizando leis gerais sobre a psique humana.
            A psicanálise utiliza-se da interpretação para buscar o significado oculto das coisas. Seu método de investigação consiste em buscar o significado inconsciente das palavras, ações e produções imaginárias de um indivíduo. Este método é baseado em associações livres do indivíduo, que dão validade às interpretações. Os psicanalistas têm uma prática para o tratamento psicológico, através da análise psicoterápica que visa cura ou auto-conhecimento. O paciente é analisado e, como nada sabe, ou sabe muito pouco a respeito dos motivos de sua doença, o profissional tem como função lhe ensinar a compreender a composição das formações psíquicas mais complicadas, reduzindo os sintomas que provocam sofrimento. Toda a psicanálise está muito vinculada ao trajeto pessoal de Freud, porque grande parte da produção de conhecimento teórico foi baseada em experiências pessoais do autor, que foram transcritas em várias obras. Freud formou-se em medicina na universidade de Viena em 1881.
            Especializou-se em psiquiatria, trabalhou em um laboratório de fisiologia e deu aulas de neuropatologia. Ele começou a clinicar por problemas financeiros e seus pacientes eram pessoas que sofriam de “problemas nervosos”. Quando terminou a residência, Freud ganhou uma bolsa para estudar em Paris, onde trabalhou com Charcot, um psiquiatra francês que tratava as histerias através da hipnose. Esta prática foi utilizada por Freud quando ele voltou a Viena e, nesta ocasião, teve um importante contato com Josef Breuer, que ajudou na continuidade das investigações. Breuer era médico famoso e tratava de um caso muito significativo. A paciente chamava-se Ana O. e sofria de distúrbios somáticos que produziam paralisia com contratura muscular, inibições e dificuldade de pensamento.
             Nesta época, Ana O. cuidava do pai doente e a conclusão do tratamento foi que ela tinha pensamentos e afetos em relação ao desejo de que o pai morresse. Estas idéias e pensamentos foram reprimidos e substituídos por sintomas que só eram esclarecidos sob hipnose, onde a paciente relatava as suas origens. Segundo Freud a rememoração destes sintomas fazia com que eles desaparecessem. Breuer parou de trabalhar com hipnose, porque nem todos os pacientes prestavam-se a ser hipnotizados e, portanto, mudou sua técnica para a concentração que se dava através da conversação normal. A principal função da clínica psicanalítica, que se dá através da análise, é buscar a origem dos sintomas ou dos comportamentos manifestos, ou do que a pessoa verbaliza. Para atingir os objetivos da psicanálise, é necessário vencer as resistências do indivíduo que impedem o acesso ao inconsciente. A psicanálise entrou em modismo, o que levou diversos autores a produzirem, em nome desta teoria, trabalhos cujo conteúdo, métodos e até mesmo os resultados, não condizem com a psicanálise propriamente dita.
Andréia Tecchio

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cronologia das ocorrências marcantes da vida de Sigmund Freud


1856 – Freud nasce, no dia 6 de maio, em Freiberg, na Morávia, então parte do Império Austro-Húngaro (hoje a República Checa).
1873- Ingressa no curso de Medicina, na Universidade de Viena, de onde sairia formado em 1881
1886- Em abril deste ano, abre seu primeiro consultório
1895- Publica, em parceria com Josef Breuer, “Estudos Sobre a Histeria”. Neste mesmo ano Freud começa a analisar seus próprios sonhos.
1896- Usa o termo Psicanálise pela primeira vez
1899- Publica o livro “A Interpretação dos Sonhos”.
1902- É nomeado professor da Universidade de Viena; funda a Sociedade Psicológica das Quartas-feiras
1905- Publica vários importantes trabalhos. Entre eles:
· “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”,
· “Os Chistes e Suas Relações com o Inconsciente”
· “Fragmentos da Análise de um Caso de Histeria”
1910- Funda a International Psycho-Analytical Association, da qual Jung é o primeiro presidente.
1938- Quando a Áustria é anexada à Alemanha, a casa de Freud e a Associação Vienense de Psicanálise são vasculhadas; Anna Freud, filha caçula de Sigmund e Martha Freud, é presa e interrogada pela Gestapo. Em junho, emigra para a Inglaterra
1939- Morre, no dia 23 de setembro, em Londres, em decorrência de um câncer.


Sigmund Freud
 
O menino Sigismundo, nascido em 1856 em Freiberg - cidade da Morávia, região que na época era uma parte católica do Império Austro-Húngaro -, aos 22 anos mudou seu nome para, talvez se mirando na mudança da cidade, que passou a se chamar Pribor, e do país, a Checoslováquia. Este primeiro (de 8) filho de uma mulher de 21 anos, e de um homem de 41 que trazia 2 filhos de uma ligação anterior, casou-se aos 26 anos, teve seu primeiro filho aos 31 e seu sexto aos 39.
Aos 4 anos, seu pai, comerciante judeu de lãs, arruinado por uma crise econômica, mudou-se para a cosmopolita Viena, cidade que nunca entusiasmou e que não via com bons olhos estes 10% de seus 2 milhões de habitantes que eram judeus, mas onde viveu até os 82 anos de idade, quando foi obrigado a sair pela ameaça do nazismo, que desde 1933 queimava sua obras.
Aos 17, o adolescente pretensioso e visionário escreveu a um amigo: "como amigo desinteressado, eu o aconselho a conservar estas cartas.... nunca se sabe...". Já se mostrava ansioso por ser pessoa importante, este rapazinho que conseguira que a mãe tirasse de casa o piano da irmã que atrapalhava seus estudos.
Seus heróis de então eram Anibal, inimigo de Roma, Napoleão, filho da Revolução Francesa, e Cromwell, estadista inglês (um de seus filhos chamou-se Oliver). Era um revolucionário com imperioso desejo de independência, e que, portanto, não podia deixar de sentir uma ponta de desprezo pelo pai que, por volta de seus 10 anos, se deixaria desalojar grosseiramente da calçada em que vinha, por um anti-semita.
A figura do pai atravessava sua existência, seja pelos insucessos seja pelas fortes marcas. Os sonhos de Freud trouxeram à tona a lembrança de quando o menino Freud urinou na cama aos 2 anos e seu pai afirmou que "...este menino nunca vai chegar a ser gente...". Foi Freud quem disse que a morte de um pai é o acontecimento mais importante na vida de um homem; que não conseguia imaginar uma necessidade mais forte na infância que a proteção de um pai e que a essência do sucesso e que a essência do sucesso é ir mais longe que o próprio pai.
A história da vida de Freud e a história da psicanálise se entrelaçam intimamente, a ponto de se poder dizer que ela chegou a ser todo o conteúdo de sua existência, no sentido de uma permanente atitude investigatória dirigida para os misteriosos eventos da mente humana. Ele sempre afirmou a necessidade de se livrar da "inocente fé na autoridade" para poder percorrer caminhos novos; os trajetos dos outros lhe pareciam importantes...como referências para o seu próprio.
A associação, em 1892, com o professor Breuer, em torno do estudo do caso de sua cliente histérica Anna O (pseudônimo de Bertha Pappenheim), foi crucial para o desenvolvimento do método catártico, em termos de uma pré-história da futura psicanálise. Ela, que cunhou seu processo terapêutico com Breuer como uma "limpeza de chaminé" (chimney sweeping) através de uma "cura pela palavra" (talking cure), propiciou um início de interese de Freud pela psique humana que jamais se interrompeu. Este método de Breuer, baseado na hipnose, logo foi abandonado por Freud, que seguiu caminho próprio, explicando a formação da estrutura patológica por um processo que chamou de recalcamento, e que em seguida percebeu poder se referir também à normalidade de sonhos, lendas, contos de fada, atos falhos e ao acaso, ditos espirituosos, ou seja, a quaisquer eventos psíquicos. Foi ele o primeiro a ter uma visão galileana para as atividades psíquicas, considerando serem as mesmas leis a explicarem tanto a patologia como a normalidades mentais, ao invés de estabelecer classes com essências diferentes - aristotelicamente - para uma e para outra.
Observando fenômenos tais como a resistência e a transferência, Freud desenvolveu uma forma de trabalho que se distinguiu profundamente da Medicina. Enquanto esta permaneceu tendo como método básico o da anamnese, em que o médico é que inicialmente direciona a investigação, a psicanálise surgiu tendo como método próprio o da livre associação, em que o analista escuta, aguardando que o analisando instaure a direção de um relacionamento que, embora conduzido pelo analista, fica marcado por esta instauração. Com isto, as interpretações, as associações, as construções, os cortes, enfim, os instrumentos de que dispõe, propiciam ao analista psicanalisar, na esperança de conseguir ajudar a buscar "uma vida produtiva e prazerosa", como ele dizia.
A livre associação como método, a abstinência como postura e a transferência como campo de ação, é que garantem, segundo Freud, que o trabalho feito com os instrumentos de que dispõe a psicanálise, seja efetivamente psicanalítico. O ponto de partida, entretanto, para que alguém possa realizar este trabalho, é uma análise pessoal, já que, para poder sustentar um processo subjetivo, há que se submeter a uma experiência estruturalmente equivalente.
Freud criou e organizou todo um mundo de idéias no terreno da psicanálise, em que esta aparece como novo processo terapêutico, como método original de investigação da mente humana, como conjunto teórico singular explicativo do seu funcionamento e mesmo como movimento agregador para a defesa e difusão destas idéias. Os que o sucederam, criaram e desenvolveram ainda mais suas concepções, uns de forma tímida e pouco conhecida, outros com a fama a premiar sua inventividade. Mas, de forma inédita para qualquer ramo de investigação que se proponha ser científico, somente na psicanálise todos os que vieram após seu fundador, a ele sempre se referenciam e nele se apoiam para realizar seus desenvolvimentos, tanto clínicos quanto teóricos.
Extraordinário criador de idéias, investigador incansável, sempre tolerante com as fragilidades do ser humano em quem reconhecia um permanente desamparo fundamental, brilhante defensor da prioridade das emoções para explicar o comportamento humano, jamais se deixava desviar do caminho da busca de verdades; não as verdades estabelecidas, fixas e definitivas, mas aquelas que levavam a um eterno buscar, a uma investigação permanente e desafiadora, a um infinito vir a ser. Somente sua morte - por câncer no maxilar, aos 83 anos - interrompeu esta fulgurante e trabalhosa trajetória. Somente a morte fez cessar aquilo que se tornou a marca desta trajetória, inclusive em referência ao objetivo nuclear do trabalho clínico psicanalítico: o movimento psíquico.

Ary Band

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Zelando pelo desempenho ético da Psicanálise


          
          O Conselho Brasileiro de Psicanálise, CBP - INNG é uma Instituição Nacional Não Governamental que possui atribuições de fiel repositório informativo, estatístico, colaborativo da auto-regulamentação e normatização da prática psicanalítica e é representado por  Regionais em todo o Território Nacional.
          Criado em 1978, sua competência inicial reduzia-se ao Cadastro Nacional dos Psicanalistas e à divulgação do Código de Ética Psicanalítica.
          Nos últimos 10 anos, o Brasil e a categoria psicanalítica mudaram muito, e hoje, as atribuições e o alcance das ações desta Instituição estão mais amplas, extrapolando à divulgação do Código de Ética Psicanalítica, normatização e a auto-regulamentação da prática profissional.
          Atualmente, o Conselho Brasileiro de Psicanálise, CBP, exerce um papel político muito importante na sociedade, atuando na defesa da saúde mental da população e dos interesses da classe psicanalítica.
          A Instituição traz um histórico de luta em prol dos interesses da saúde mental e do bem estar do povo brasileiro, sempre voltado para a adoção de políticas de saúde mental dignas e competentes, que alcancem a sociedade indiscriminadamente.
         Ao defender os interesses corporativos dos psicanalistas (independentemente de qualquer discriminação de: escola, linha, associação, sociedade, círculo, núcleo, laço,sindicato, centro, colégio, instituto, faculdade, cor, raça, religião ou ideologias políticas), assim como, a regulamentação da profissão psicanalítica, o CBP - INNG empenha-se em defender a boa prática da psicanálise, o exercício profissional ético e uma boa formação técnica e humanista, convicto de que a melhor defesa da psicanálise e dos psicanalistas é a UNIÂO DE TODOS OS PSICANALISTAS DO BRASIL em prol da garantia de serviços psicanalíticos de qualidade para a População Brasileira.
Além de zelar pelo desempenho ético da psicanálise e pelo bom conceito da profissão, o CBP organiza uma série de atividades e presta alguns serviços aos psicanalistas e à sociedade brasileira, entre os quais: 
Cadastro Nacional dos Psicanalistas
          O Cadastro Nacional dos Psicanalistas é a inserção gratuita, do nome do psicanalista, no índice referente ao Estado Brasileiro em que atua, ficando assim mais fácil, a procura dos clientes pelos profissionais. 
Agenda
           O site do CBP - INNG esta aberto, para a publicação dos principais encontros científicos psicanalíticos (de todas as escolas e linhas da psicanálise).
 Assessoria Jurídica
           A Assessoria Jurídica do CBP - INNG tenta zelar pelo bom exercício da prática psicanalítica em todo o território nacional. 
Biblioteca
           A Biblioteca do CBP - INNG possui um acervo especializado na área de Ética Psicanalítica, Bioética, Direito Psicanalítico e Clínica Psicanalítica.  
Educação Psicanalítica Continuada
           O CBP - INNG coloca à disposição dos psicanalistas e instituições de ensino, as fitas de vídeo com os programas das séries Bioética, Psicanálise Brasileira e Práticas Psicanalíticas.  
Auto-Regulamentação e a Normatização da Profissão
           Toda a legislação referente à área psicanalítica está disponível para consulta no nosso site. Pareceres, resoluções, leis e decretos, além do Código de Ética Psicanalítica.
CADASTRO NACIONAL DOS PSICANALISTAS
          O Cadastro Nacional dos Psicanalistas (CNP) é mantido pelo Conselho Brasileiro de Psicanálise (INNG), que exerce a função de fiel repositório do cadastro de todos os psicanalistas do Brasil.
IMPORTANTE: O Cadastro Nacional dos Psicanalistas é um órgão do Conselho Brasileiro de Psicanálise (INNG) que é uma instituição sem finalidades lucrativas e de utilidade Pública, não cobra absolutamente nada dos seus serviços ou envia boletos de cobrança aos psicanalistas cadastrados.
          Os valores do CBP - (INNG), é primar pelos princípios da ética, transparência, integridade, qualidade, compromisso com resultados e multiplicação e disseminação de conhecimento psicanalítico, legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e da eficiência da Psicanálise e dos Psicanalistas e não fará qualquer discriminação de raça, cor, gênero, religião, escola, linha, sociedade, associação, sindicatos e institutos.
          O intuito do CBP - (INNG) ao criar o Cadastro Nacional dos Psicanalistas surge capacitado através de equipe técnica e parcerias qualificadas para não somente projetar, mas realizar programas de interesses emergentes obtendo o foco coletivo.
          Através do Cadastro Nacional do Psicanalista você tem um perfil profissional único, onde os seus dados ficam centralizados e disponíveis para serem consultados por seus pacientes ou outros profissionais, gerando com isso uma rede social de Psicanalistas e uma rede de contatos com profissionais de sua área.
          Através do Cadastro Nacional do Psicanalista, o profissional cadastrado terá seu nome e numero de cadastro, divulgados das mais variadas formas possíveis que a internet possibilita e em todos os veículos de comunicações nacionais e internacionais.
          O CBP - (INNG) no intuito de colaborar com o Governo Federal criou uma base de dados integrada:
 “O Governo Federal determinou a criação do CNT - Cadastro Nacional do Trabalhador, através do decreto 97.936 de 1989, na forma de consórcio entre Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), Ministério do Trabalho (MTb) e Caixa Econômica Federal (CEF). Posteriormente assumiu, conforme lei 8.212 de 1991, a denominação de CNIS”.
“Incluem-se neste universo os trabalhadores empregados ou contribuintes individuais, tais como empresários, funcionários públicos, ou quaisquer pessoas detentoras de NIT, PIS ou PASEP e que tenham informado a partir de 1971 (para empregados) ou 1973 (para contribuintes individuais) seus dados sociais, ou previdenciários ao governo federal.”
          Entre os benefícios que o Cadastro Nacional do Psicanalista poderá trazer estão: o acesso à lista de psicanalista de acordo com a área de atuação de cada um; a autonomia na utilização permanente de dados cadastrais via internet; a agilidade e facilidade na troca de informações entre as Regionais e o CBP - (INNG), propiciando otimização do tempo para gerar relatórios com informações necessárias para os psicanalistas e a psicanálise.
          O projeto do CBP - (INNG) é pioneiro e ousado permite a integração das bases de dados de todas as Regionais em uma única ferramenta on-line baseado no conceito de Sistemas para Web, e traz consigo uma série de benefícios para os usuários, entidades, profissionais e público em geral, como por exemplo, estatísticas resultantes do cruzamento de diversos dados, além de disponibilizar informações atualizadas em tempo real de fácil acesso por meio da rede mundial de computadores.


sábado, 6 de novembro de 2010

O Processo e a Escuta Psicanalíticos


          O processo psicanalítico se dá pela posição em que o psicanalista se coloca, da escuta de uma subjetividade, no limbo onde as palavras, os suspiros e os ritmos fazem uma dança diferente do que o conteúdo de seus enunciados poderia nos fazer pressupor. É porque a palavra é destituída de seu valor comunicacional usual que o processo analítico se instala. Pela atenção flutuante do analista, que pode tê-la por seu próprio inconsciente analisado e da associação livre do paciente, constitui-se este limbo de uma outra cena, onde o desconhecido irrompe inesperadamente, revelando os contornos de um fantasma inconsciente que obstaculizava o livre curso do desejo, propiciando, em geral, um alívio muito grande no sofrimento que sente quem procura uma análise. Para a Psicanálise, é uma fantasmática que estrutura o comportamento da vida de cada ser, as estruturas fantasmáticas procurando se exprimir, encontrar uma saída para a consciência e ação e, por isso, seu material não é só feito da sexualidade infantil recalcada e, portanto, inconsciente, mas também de novos materiais que são atraídos a ele. O fantasma é tal qual um espantalho, composto de pedaços de coisas desconexas, cada um de um lugar, resíduos de frases escutadas, restos de imagens, uma espécie de montagem surrealista construída em cima de um pensamento simples e curto que por várias razões teve de ser reprimido. A interpretação psicanalítica visa dissipar o fantasma e nesse sentido o psicanalista é um caçador de fantasmas que, em sua posição, permite àquilo que é de outra cena, marcada pela sexualidade infantil, se manifestar. O processo psicanalítico é longo porque é longo o processo de constituição do recalque e, portanto, igualmente longo o processo de levantamento do recalque e dissipação do efeito doloroso do fantasma. A escuta psicanalítica percorre um árduo caminho para pulverizar o fantasma no vazio entre os corpos em que ele se instalou, restituindo-o a seus corpos de origem, para que, do vazio, possa renascer o desejo, prevalecer as forças de vida. É porque o homem ocidental teme o vazio, que o fantasma pode se instalar, dando uma impressão de continuidade ilusória entre os corpos, anulando imaginariamente os intervalos entre eles. Se o sentido s e desdobra numa multiplicidade e infinidade, a palavra, um dos instrumentos para atingi-lo, deve trazer nela a intenção simultânea e paradoxal de instalar o sentido e o não sentido, não mais pensado como vazio, mas sim, como um fluxo vivo que possibilita novas criações.
         O inusitado da experiência psicanalítica faz com que se tenha a vivência da eficácia mágica da lenta cura pelas palavras. Em casos ou momentos mais difíceis, não só a palavra, mas outros recursos expressivos, os gestos, as produções artísticas, os escritos, os estados corporais e os atos.

A parceria da psicanálise com outros saberes

          É inegável que a Psicanálise pode encontrar parceiros em outros saberes e que junto deles há muito o que explorar. É inegável, qualquer que seja o caminho que tomem neste todo indissociável corpo-alma, psique-soma humanos, que o remédio psiquiátrico, as terapêuticas advindas da Neurociência e Neurofisiologia, como também a Filosofia, a Religião, os florais de Bach e a Homeopatia, ajudam o homem em seu sofrimento. Se a novidade psicanalítica colocou em relevo o corpo erógeno, não foi sem esquecer que nas bordas deste está o suporte do corpo em seu funcionamento físico-químico-biológico e a capacidade sublimatória humana. É inegável a atuação de um remédio antipsicótico na melhoria do fluxo ideativo, de um anti-depressivo que, em certos casos, ao atuar nos neurotransmissores, traz possibilidades representacionais inéditas para alguns pacientes que começam, por exemplo, a sonhar, a associar, a cometer lapsos, saindo do imobilismo psíquico depressivo. A questão é colocar, muitas vezes, o remédio como eliminador de sintomas que podem ser incômodos, mas que podem ser benéficos ao trabalho psíquico, quando presentes em certo grau. É a ideologia da eliminação radical do sofrimento que contraria a constituição trágica do humano, na qual a dor é tão constitutiva do viver como o é a alegria. O que a Psicanálise oferece é a possibilidade de viver o sofrimento psíquico com um outro, para poder gradativamente se apropriar dos meios de suportá-lo e transformá-lo.
          Um outro campo de parceria inequívoca é a chamada Psicossomática, que vem despertando enorme interesse, pelos desafios clínicos e teóricos que oferece tanto para o médico quanto para o psicanalista. É aqui que o paralelismo da alma e do corpo da filosofia de Spinoza ganha um novo contorno com a invenção do conceito de pulsão em Psicanálise, representante do soma na alma, e de um espaço psíquico que dá conta de suas manifestações.
          Quando a pulsão não pode aceder ao trabalho simbólico, quando não pode se transformar em angústia, quando o conflito psíquico não pode se constituir, ela estoura no corpo de maneira mortífera. A doença se produz por uma cisão entre a psique e o soma. O tratamento médico deve, então, vir acompanhado por uma difícil tentativa de transformar o sofrimento orgânico em sofrimento mental o que produzirá possibilidades e sintomas menos mortíferos, passíveis de transformação, além de uma maneira de vivenciar o corpo, cuja percepção é profundamente rudimentar ou deformada, de outra maneira.


Renata Udler Cromberg